7 Feb 2010
Cesar Fonseca
O partido aponta três rumos e dá margem para variada interpretação por parte dos concorrentes, pois pode apoiar a situação ou a oposição ou ainda dispor de candidatura própria. O PMDB não está com ninguém e está com todo o mundo. É a imagem do máximo oportunismo em plena campanha eleitoral. Puro macunaíma. A cara ( click title for more )
6 Feb 2010
Cesar Fonseca. Sebastiao Gomes
O capitalismo em crise está perdendo a moral para falar não apenas sobre o futuro, mas, principalmente, sobre o presente. Não consegue resolver mais nada de forma satisfatória. Não dão resultados nem os esforços de solidariedade mundial que tenta despertar para salvar os aleijados pelas tormentas da natureza , como foi o caso do sacrificado ( click title for more )
4 Feb 2010
Cesar Fonseca
Que é mais vantajoso: vender o litro de álcool a R$ 1,30 ou ele misturado à gasolina, na proporção de 25%, ao preço de R$ 2,70?
Claro, a Petrobrás defende e exige a segunda opção. Fatura mais. O preço do álcool deixa de ser vendido a R$ 1,30 para ser faturado a R$ 2,70, misturado à ( click title for more )
3 Feb 2010
Cesar Fonseca
O presidente Lula adquiriu, depois de oito anos de poder, ampliando os programas sociais, que salvaram o capitalismo nacional da bancarrota, ao garantirem aos capitalistas consumo interno suficiente, para combater a histórica insuficiência crônica de demanda nacional, a capacidade de unir o país em torno da unanimidade popular lulista. Se fosse candidato para disputar terceiro mandato, ( click title for more )
2 Feb 2010
Cesar Fonseca
O grande gargalo do capitalismo, no momento em que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, veste a fantasia do HOMEM ARANHA – para tentar salvar o povo do ataque dos banqueiros, sanguessugas da era moderna, no tempo da moeda virtual, sem lastro, livre, leve e solta, auto-multiplicadora – é conseguir outra forma de reprodução ( click title for more )
1 Feb 2010
Cesar Fonseca
Os banqueiros entram no ano eleitoral seguros da máxima de que quem tem cutuvelo tem medo. Os movimentos do Estado, durante a crise mundial, criaram outra conjuntura. Os bancos estatais brasileiros, por exemplo, entraram na economia para valer. Substituíram, com o aval do Estado, o medo dos banqueiros privados. Estes, viciados em ganhar sem trabalhar, ( click title for more )
29 Jan 2010
Cesar Fonseca
Chavez aprofunda o discurso socialista para vencer a crise econômico-financeira venezuelana decorrente da bancarrota global com a convicção de que a nova conjuntura internacional que fragiliza o capitalismo cêntrico, candidatando-o à condição de caloteiro, libere forças políticas renovadoras, impulsionadas pelo desemprego e pelas pregações políticas radicais que ele detona para fazer avançar as relações sociais ( click title for more )
27 Jan 2010
Cesar Fonseca
O PMDB e o PSB estão protagonizando os primeiros passos da chilenização política sucessória do presidente Lula ao darem tiros para todos os lados, enquanto o PT vai organizando candidaturas dentro do espírito essencialmente petista, de jogar sozinho no primeiro turno, para fazer composições no segundo. A desarticulação da coalizão governamental , nesse instante, é ( click title for more )
26 Jan 2010
Ariosto Teixeira
Às vezes você se pergunta
Olhando o rosto no espelho
Se o reflexo é verdadeiro
Ou se a verdade é o corpo
Parado no meio do banheiro
Você acha que sabe bem o que é
Você acha que sabe bem o que quer
Você acha que sabe quem você é
Mas você sente medo
Medo de não ser você no espelho
Medo de ser ( click title for more )
25 Jan 2010
Cesar Fonseca
Fato político e econômico estrondoso que ocorre em início da disputa eleitoral. Descortinou-se como propaganda forte de campanha política, apoiada no nacionalismo, a materialização da proposta da ministra Dilma Rousseff, quando titular do Ministério das Minas e Energia, de fusão da estatal Petrobrás com a privada Odebrecht, na formação do conglomerado petroquímico público-privado, expresso na Braskem, ( click title for more )
Náufrago da Utopia
Um blog alinhado com os ideais revolucionários, a defesa dos direitos humanos e o exercício do pensamento crítico: o jornalista e escritor Celso Lungaretti comenta os acontecimentos diários
8 Feb 2010
Celso Lungaretti
"Eu assisti de camarote
O teu fracasso,
Palhaço, palhaço
(...) No livro de registro desta vida
Numa página perdida o teu nome há de ficar
Registram-se os fracassos, esquecem-se os palhaços
E o mundo continua a gargalhar"
(Benedito Lacerda/Herivelto Martins)
Nos círculos do poder, não há a mais remota dúvida de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmará a decisão que o Governo brasileiro tomou há 13 meses, de garantir ao perseguido político italiano Cesare Battisti o direito de residir e trabalhar em paz no nosso país.
Eliane Cantanhêde já revelou que as gestões italianas atualmente são apenas no sentido de que Lula doure a pílula, alegando razões humanitárias para sua decisão; e que o desfecho do caso não ocorra nos períodos imediatamente anterior e posterior à visita do premiê Silvio... (más)
"Eu assisti de camarote
O teu fracasso,
Palhaço, palhaço
(...) No livro de registro desta vida
Numa página perdida o teu nome há de ficar
Registram-se os fracassos, esquecem-se os palhaços
E o mundo continua a gargalhar"
(Benedito Lacerda/Herivelto Martins)
Nos círculos do poder, não há a mais remota dúvida de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmará a decisão que o Governo brasileiro tomou há 13 meses, de garantir ao perseguido político italiano Cesare Battisti o direito de residir e trabalhar em paz no nosso país.
Eliane Cantanhêde já revelou que as gestões italianas atualmente são apenas no sentido de que Lula doure a pílula, alegando razões humanitárias para sua decisão; e que o desfecho do caso não ocorra nos períodos imediatamente anterior e posterior à visita do premiê Silvio Berlusconi ao Brasil, para poupar-lhe constrangimentos.
Este quadro motivou nova diatribe de Mino Carta, Onde está a esquerda?: trata-se de mera retaliação pela derrota humilhante que está em vias de sofrer, como o principal linchador de Battisti na imprensa brasileira.
Mino escreveu dezenas de artigos para pressionar nossas autoridades a passarem por cima das tradições humanitárias brasileiras e das consistentes dúvidas a respeito da lisura do processo em que Battisti foi condenado sem ter podido exercer seu direito de defesa, graças a uma fraude hoje totalmente desmascarada, envolvendo falsificação de procurações, conluio de defensores com acusadores e conivência da Justiça italiana.
Para que servem agora esses artigos, editoriais e notícias editorializadas?
Só para uma coisa: são a pior nódoa nas muitas décadas de carreira de Mino Carta. Ele vai ser sempre lembrado como o jornalista que tentou impor aos brasileiros a capitulação diante das mais descabidas pressões e dos mais arrogantes ultimatos italianos.
Afora os textos que assinou, outros atribuídos à Redação da CartaCapital têm conteúdo e forma idênticos aos seus. E o ex-juiz Walter Maierovitch, colunista fixo que faz as vezes de fiel escudeiro do Mino Carta, também contribuiu assiduamente com o lobby para o linchamento de Battisti, produzindo dezenas de peças tendenciosas e rancorosas.
No início de 2009, a CartaCapital certamente bateu um duvidoso recorde na imprensa brasileira, como a revista de circulação nacional que por mais semanas consecutivas abordou um único assunto, e sempre com o mesmo viés (linchador).
O outro lado e o direito de resposta simplesmente deixaram de existir para esse veículo, que se comportou como mero house organ da Fabbrica Italiana di Buffonatas.
Nem os leitores aguentavam mais este samba de uma nota só, tanto que passaram a contestar veementemente não só a fixação obsessiva de Mino no tema, quanto a posição por ele adotada.
Pateticamente, ele reagiu retirando-se do seu próprio blogue, o que não impediu o público da revista de continuar manifestando sua discordância nos comentários das notícias e editoriais sobre o Caso Battisti, os quais continuaram sendo sistematicamente expelidos (é o termo apropriado...).
Agora, confrontado com a inutilidade de sua caça à bruxa, o grande inquisidor se vinga retoricamente dos que impediram-no de acender a fogueira:
"...José Eduardo Cardozo, fervoroso defensor da permanência de Battisti no Brasil e titular de um currículo em que figuram contatos importantes, quem sabe decisivos, com Daniel Dantas, o banqueiro do Opportunity. Dele Cardozo foi advogado, soldado a mais de um exército infindo, antes de se eleger em 2002..." [Ser advogado de alguém nunca constituiu crime ou opróbrio. Mino semeia suspeitas porque não tem acusações para apresentar.]
"A revista Veja acabava de publicar um dossiê que dizia ter-lhe sido entregue por Dantas, a revelar contas de um pessoal graúdo, a começar pelo presidente Lula, em paraísos fiscais. Mais um episódio para enrubescer o arco-da-velha e que em outro país provocaria, no mínimo, investigações profundas e algumas prisões." [Depois de tanto criticar a revista que já dirigiu, Mino Carta recorre a suas antigas acusações para atingir Lula, o ex-ministro Márcio Thomaz Bastos e o deputado Cardozo.]
"Um ministro de Estado soletrou nos ouvidos de CartaCapital: 'É que o PT tem medo de Dantas'." [É simplesmente grotesco Mino lastrear acusação tão grave numa fonte incógnita. O despeito o faz esquecer o bê-a-bá do jornalismo.]
"Ah, sim, a famosa esquerda... Sempre pergunto aos meus perplexos botões qual teria sido a razão que moveu o ministro Genro ao decidir-se pelo refúgio a Battisti. Há quem diga, nos próprios corredores de diversos ministérios, que foi para agradar à esquerda na perspectiva da eleição gaúcha. [Novamente insinua o que não tem evidências nem coragem para afirmar, evitando assumir responsabilidades legais.]
"...de que esquerda se trata? Daquela que descobriu os prazeres da vida e decidiu apostar no poder pelo poder? Ou daquela que virou tucana, ou seja, herdeira do udenismo velho de guerra?" [Noves fora, resta nada. Já que Battisti vai ser libertado, ninguém mais presta, todos chafurdam na podridão. O linchador está à beira de um ataque de nervos.]
"Resta o fato de que esta tal de esquerda parece não ter entendido a diferença entre quem luta contra a ditadura e quem contra um Estado Democrático de Direito. Atingimos, assim, a encruzilhada: de um lado a ignorância, do outro a hipocrisia. De um lado o QI baixo, do outro a desfaçatez. De um lado a parvoíce, do outro a cega, granítica, eterna confiança na credulidade alheia." [Retórica embolorada e oportunística à parte, Mino parece esquecer a desmoralização que Berlusconi granjeou para o tal "Estado Democrático de Direito", começando pelas leis casuísticas que Executivo e Legislativo têm introduzido/tentam introduzir para evitar que o premiê receba a justa punição por seus numerosos delitos.]
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7 Feb 2010
Celso Lungaretti
Um problema das polêmicas virtuais é que são intermináveis.
A imprensa, mesmo nos tempos em que não estava tão desvirtuada, sempre permitiu que seguissem apenas até os contendores não terem trunfos novos a apresentar, ou até a derrota de um deles se tornar inequívoca. Afinal, nela o espaço tem preço, que não é desperdiçado com meros exercícios do direito de espernear.
Já na Web, alguém pode ter sua argumentação destruída por completo e continuar nela insistindo, indefinidamente.
É como se um enxadrista, após levar xeque-mate, seguisse movimentando as peças no tabuleiro.
Então, só resta ao vencedor anotar as jogadas na papeleta e levantar-se da mesa, deixando o patético vencido a encenar a farsa de que o jogo continua.
É o que farei agora.
Na linha grosseira e falaciosa que adotou quando acaba... (más)
Um problema das polêmicas virtuais é que são intermináveis.
A imprensa, mesmo nos tempos em que não estava tão desvirtuada, sempre permitiu que seguissem apenas até os contendores não terem trunfos novos a apresentar, ou até a derrota de um deles se tornar inequívoca. Afinal, nela o espaço tem preço, que não é desperdiçado com meros exercícios do direito de espernear.
Já na Web, alguém pode ter sua argumentação destruída por completo e continuar nela insistindo, indefinidamente.
É como se um enxadrista, após levar xeque-mate, seguisse movimentando as peças no tabuleiro.
Então, só resta ao vencedor anotar as jogadas na papeleta e levantar-se da mesa, deixando o patético vencido a encenar a farsa de que o jogo continua.
É o que farei agora.
Na linha grosseira e falaciosa que adotou quando acabaram seus argumentos, Laerte escreveu DO A DE ALGARAVIA AO T DE TRAIDOR - OU O "O" DE OPORTUNISTA, assim mesmo, como um foquinha que ignora o bê-a-bá do jornalismo (se colocou o "o" entre aspas, deveria tê-lo feito também com o "a" e o "t").
Para quem atuou um dia na profissão, isto evidencia que está transtornado a ponto de esquecer o que há de mais elementar -- será que ainda se lembra de vestir as calças antes de sair na rua?
E o texto todo é um tijolaço caótico e errático, sem parágrafos nem nexo, pulando de assunto a assunto (Obama, o Mossad, o aquífero guarani, Ortega, a sucessão brasileira, o Jornal Nacional, a Amazônia, o Haiti, o MST, Mirian Leitão, José Serra -- panfletariamente comparado a Fernando Collor, quando poderia sê-lo, p. ex., com Carlos Lacerda, que começou na esquerda e depois endireitou -- etc., etc.), sem nada aprofundar nem nada provar.
Mais um motivo para lamentarmos a perda irreparável do grande Sérgio Porto, o Stasnislaw Ponte Preta: se estivesse vivo, encontraria nesse texto a matéria-prima para criar uma versão várias vezes aprimorada do seu "Samba do Crioulo Doido".
Tão irritado o Laerte Braga ficou quando constatei que seus textos não passam de algaravias que acaba de cometer sua pior algaravia dos últimos anos...
Ataca a Anistia Internacional como se não tivesse sido ela a exigir providências de Porfirio Lobo para a punição dos crimes praticados pela quadrilha de Roberto Micheletti, enquanto o presidente deposto Manuel Zelaya, com a boca dava declaração elogiosa à "reconciliação nacional"; e com a mão, apanhava o salvo-conduto que barganhou com Lobo.
Juntamente com um comitê hondurenho de vítimas, Laerte Braga profetiza que a Comissão da Verdade instituída por Lobo só servirá para salvar as aparências.
Não parece ocorrer ao Nostradamus de Juiz de Fora que isto significa apenas desperdiçar uma tribuna em que as mortes, torturas, estupros e intimidações do pós-golpe poderão ser veementemente denunciados, ganhando destaque na imprensa mundial.
Se, no final, a montanha parir um rato, aí sim caberão as denúncias contundentes de que Lobo, no fundo, é um continuador de Micheletti.
Fazê-las desde já só serve para desqualificar-se aos olhos dos neutros. É falar para os já convertidos (que foram insuficientes para conseguir que esta crise tivesse o desfecho correto) e esquecer a necessidade de ampliar fileiras, para obter a vitória no(s) confronto(s) seguintes(s).
Em suma, trata-se da miopia política habitual dos colecionadores de derrotas, que parecem importar-se mais com a manutenção de sua imagem junto ao próprio público do que com o resultado concreto das lutas que travam.
Quanto a depreciar o papel da Anistia Internacional com a afirmação de que ela só atua após a porta arrombada, é mais uma falácia dentre tantas. Em situações como os bombardeios israelenses na Faixa de Gaza, sua resposta foi imediata e dramática.
O que ela não faz é posicionar-se a partir de relatos não comprovados, como aquele em que o Laerte Braga acreditou, ao trombetear por aqui que, num único domingo, os capangas de Micheletti teriam assassinado "pelo menos" 50 manifestantes contrários ao golpe.
A AI não tem tropas para impor sua vontade a governos, seu único trunfo é a autoridade moral, INDISCUTÍVEL AOS OLHOS DOS CIVILIZADOS, que ela perderá se encampar versões exageradas de militantes.
Já o Laerte Braga não tem escrúpulo nenhum em repassar essas versões o tempo todo, como se fossem a tábua dos 10 mandamentos.
É um mero propagandista, que se norteia antes por Joseph Goebbels do que por Rosa Luxemburgo: para ele, a verdade não é revolucionária, longe disto, daí preferir martelar ad nauseam as versões convenientes, na esperança de que acabem passando por verdadeiras.
É o que continuará fazendo em relação a mim, com a equação "Celso Lungaretti = traidor". Escreverá isto a torto e a direito, doravante.
Prosseguirá citando o documentário Tempo de Resistência como "prova", indiferente ao fato de que nem mesmo o Darcy Rodrigues, que aparece no filmeco fazendo tal afirmação, ainda a sustenta. Hoje ele reconhece que eu nem sequer conhecia a localização da segunda área de treinamento guerrilheiro, onde estava Carlos Lamarca.
Fingirá ignorar que, mesmo antes de eu desmistificar as versões convenientes sobre a quase destruição da VPR em abril/1970, provando que responsabilidades alheias estavam sendo atiradas nas minhas costas para que outros posassem de heróis impolutos, nunca se cogitou traição da minha parte, mas sim que não houvesse resistido às torturas que me causaram uma lesão permanente.
Tanto isto é verdade que, já em 1974, a esquerda organizada se dispôs a me reabilitar, desde que eu me apresentasse apenas como massacrado pela repressão, omitindo que fora igualmente injustiçado e jogado às feras pela VPR. E não é afirmação sem comprovação, como os blefes ridículos do Laerte Braga; o companheiro Luiz Aparecido está aí, firme e forte, para confirmar.
E seguirá espalhando calúnias, como fez com o Raymundo Araujo, a quem acusou -- igualmente sem provas -- de ser um infiltrado, deixando depois o dito por não dito.
É como sempre reagem os stalinistas contra quem os contesta -- vide as falácias que utilizaram para justificar o massacre de trotskistas, anarquistas, mencheviques, sociais-revolucionários e até mesmo da Velha Guarda bolchevique.
Embora lhe caiba apenas o papel de repetir a História como farsa, já que não tem estatura para protagonizar tragédias, Laerte Braga mostra ser exatamente da mesma estirpe daqueles que obrigavam revolucionários de uma vida inteira a comparecerem balbuciantes aos julgamentos de Moscou, para confessarem que, a serviço dos EUA ou da Inglaterra, haviam tentado envenenar os reservatórios de água do estado socialista.
Para ele o que importa é satanizar o adversário, fazendo dele um espantalho, como se fosse o pior dos inimigos.
Mas, nem desta vez seguirei o conselho de amigos e companheiros, que me exortam a recorrer à Justiça burguesa. Sigo meus princípios, sempre.
Minha força para sobreviver a terríveis injustiças e vencer batalhas desiguais sempre adveio de manter-me coerente com minhas convicções. Sabendo que sustento a posição correta, não me importa ter o mundo circunstancialmente contra mim.
Não será o liliputiano Laerte Braga que vai me fazer mudar a postura. Mesmo porque o julgamento dele já ocorreu, tendo como jurados os internautas.
E as atas permanecerão disponíveis na Web, de forma que, ao colocar "Laerte Braga" na busca, toda e qualquer pessoa ficará sabendo quão baixo ele desceu um dia.
Para mim, é o que basta.
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6 Feb 2010
Celso Lungaretti
Quanto mais se desmoraliza na guerra dos argumentos, mais Laerte Braga parte para as agressões mentirosas, delirantes e destrambelhadas, como remanescente emblemático do stalinismo que ele é.
Não vou acompanhá-lo nessa guerra de lama. Apenas, transcreverei seu comentário de ontem (05/02) no blogue Apesar de Vc... 1964/1985 e o artigo em que relatei o episódio do documentário Tempo de Resistência, ao qual ele se refere.
É o suficiente para os leitores chegarem a uma conclusão sobre quem é quem.
Tudo que eu tinha para dizer sobre os eventos de 1970, já disse no meu livro Náufrago da Utopia. Não vou passar a vida inteira restabelecendo a verdade, cada vez que algum caluniador vier me atacar, aludindo a acordos que jamais foram firmados e dos quais não pode apresentar prova nenhuma, porque ine... (más)
Quanto mais se desmoraliza na guerra dos argumentos, mais Laerte Braga parte para as agressões mentirosas, delirantes e destrambelhadas, como remanescente emblemático do stalinismo que ele é.
Não vou acompanhá-lo nessa guerra de lama. Apenas, transcreverei seu comentário de ontem (05/02) no blogue Apesar de Vc... 1964/1985 e o artigo em que relatei o episódio do documentário Tempo de Resistência, ao qual ele se refere.
É o suficiente para os leitores chegarem a uma conclusão sobre quem é quem.
Tudo que eu tinha para dizer sobre os eventos de 1970, já disse no meu livro Náufrago da Utopia. Não vou passar a vida inteira restabelecendo a verdade, cada vez que algum caluniador vier me atacar, aludindo a acordos que jamais foram firmados e dos quais não pode apresentar prova nenhuma, porque inexistem.
Nem recorrerei à Justiça burguesa pois, como afirmei no artigo abaixo, não é assim que resolvo minhas pendências com a esquerda (mesmo com essa excrescência autoritária e putrefata a que se filia o Laerte).
Prefiro sempre o jogo franco, expondo aos cidadãos civilizados a mediocridade intelectual e a pequenez moral de quem encabeça campanhas de satanização de adversários políticos em pleno século XXI.
A FALÁCIA
"Eu não vou perder tempo com Celso Lungaretti. Poderia transcrever aqui um mail que atestaria o seu mau caratismo e sua pusilanimidade.
"Vou só relatar um fato - há uns meses atrás cheguei à minha casa e resolvi ver o que estava passando em alguns canais de tevê.
"Num deles, Canal Brasil, estava sendo exibido um documentário sobre o período da repressão.
"Num dado momento, ao falar sobre o grupo de Lamarca, um dos integrantes do mesmo, gente séria, referiu-se à queda do grupo por conta de um "TRAIDOR". O nome? Celso Lungaretti.
"A diferença entre "ex-jornalista" que ele me rotula, mau caráter, é traidor e que TRAIDOR não existe ex é sempre traidor.
"Além de ter entregue os companheiros, fez um acordo com os militares e ele aceitava, como parte do acordo, aplicar choques em companheiros presos além de ter ido à tevê dizer-se arrependido.
"Só isso."
Laerte Braga
A VERDADE
Há um mês recebi esta mensagem do valoroso companheiro Luiz Aparecido ("ex-preso politico e até hoje militante do glorioso PCdoB", como faz questão de ressaltar):
"Acabei de assistir hoje, domingo, dia 21 de junho de 2009, no Canal Brasil da SKY e repetido por outros canais de assinatura, o documentario, 'Tempo de Resistencia', onde inumeros revolucionarios dão seu depoimento sobre a resistencia dos combatentes brasileiros à Ditadura. Entre os depoimentos sinceros e emocionantes (...) há tambem o de Darci Rodrigues. Este ultimo me chocou ao repetir a cantilena mentirosa e falsa, de que o campo de treinamento da guerrilha da VPR, no Vale do Ribeira no inicio dos anos 70, no interior de São Paulo, foi entregue pelo quem ele chama de traidor, Celso Lungaretti.
"É mais que a hora, de exigir dos produtores e diretores do documentario que façam, em nome da verdade histórica, o esclarecimento que historiadores como Jacob Gorender e a própria vida ja fizeram: Celso Lungaretti não foi o delator que entregou o local do treinamento para a repressão. Como esta informação se tornou publica e abrange, atraves do documentario exibido no 'Canal Brasil' e outros veiculos, fórum de seriedade histórica, é necessário mais uma vez isentar o Lungaretti desta perfidia e se for o caso, até entrevistarem o Celso e outros companheiros da época, para apontar o verdadeiro delator daquele fato.
"As torturas barbaras e humilhantes que nós revolucionarios fomos submetidos nos porões da ditadura, devem ser denunciadas sempre, assim como a verdade dos fatos que elas originaram. Se alguns e não foram poucos, fraquejaram e abriram companheiros e ações, os fatos devem ser esclarecidos. Mas uma mentira não pode destruir a reputação, a honra, a vida e a coragem de quem teve a audacia e o desprendimento humano de enfrentar, armados ou não, o aparato selvagem da ditadura.
"Dou meu depoimento publico da honestidade e coragem histórica de Celso Lungaretti...".
Passei exato um mês esperando que os responsáveis pela acusação, a partir dos e-mails que lhes enviei, dessem uma solução digna ao episódio. Como nada fizeram, só me resta tornar público o que houve, deixando aos leitores as conclusões.
Preso em instalações militares e impossibilitado de me defender, fui em 1970 acusado pela Vanguarda Popular Revolucionária de haver delatado a área na região de Registro (SP) em que Carlos Lamarca e outros militantes treinavam guerrilha. A repressão deslocou milhares de soldados para lá, mas alguns companheiros escaparam como civis, outros embrenhando-se nas matas. A fuga destes últimos, comandada por Lamarca, foi, indiscutivelmente, uma das maiores proezas militares da História brasileira.
Quando fui libertado, nada havia mais a fazer. A falsidade passava por verdade e eu não tinha como conseguir provas para sustentar minha versão, nem tribunas para apresentá-la, em meio à censura e à intimidação reinantes.
Quando a engrenagem de terrorismo de estado começava a ser desmontada, fui entrevistado por veículos como a revista IstoÉ e o jornal Zero Hora (RS), relatando, então, as torturas sofridas durante os dois meses e meio que passei incomunicável nos cárceres da ditadura e que me causaram uma lesão permanente.
Mas, o foco dessas reportagens não era o episódio de Registro e, como eu ainda não conseguira nenhuma prova de minha inocência, não insisti para que delas constasse minha refutação.
Em 1994, no entanto, Marcelo Paiva fez-me tal acusação nas páginas da Folha de S. Paulo e eu não poderia deixar de exigir direito de resposta. Travamos polêmica e eu expus pormenorizadamente o que eu realmente fizera e os fatos de que tinha conhecimento.
Ainda sem provas, era minha versão bem sincera do que se passara:
participei da equipe precursora que foi implantar uma escola de guerrilhas à altura do km. 254 da BR-116;a área foi considerada inadequada e abandonada em dezembro/1969;voltei para o trabalho urbano exatamente por desconhecer a localização da área seguinte, na qual o trabalho prosseguiu (caso contrário, por motivos de segurança, não poderia ter saído de lá);ao contrário do que o Lamarca me fez crer, a área 2 não se localizava a centenas de quilômetros de distância, mas apenas a 16;em abril/1970, ao ser preso e muito torturado, revelei a localização da área 1, por avaliar que seria informação inútil para a repressão, mas serviria para eu me recompor e ganhar tempo, enquanto preserva informações realmente importantes;talvez, como Marcelo Paiva sustentou, a partir dessa área 1 tivessem descoberto alguma ligação com a área 2, mas a responsabilidade, aí, seria de erro cometido pela própria VPR na instalação dos campos.
Em 2004, a prova que tanto me fazia falta finalmente caiu nas minhas mãos, quando Ivan Seixas, em seu site Resgate Histórico, publicou um relatório secreto de operações do II Exército, cuja existência eu desconhecia.
Dele constava, explicitamente, a informação de que duas equipes do DOI-Codi foram deslocadas para Registro a fim de apurar minha informação sobre a área 1 e voltaram relatando que não havia mais atividades no local; enquanto isso, novas informações, decorrentes de prisões posteriores, forneceram à repressão a localização exata da área 2.
Estava tudo lá, preto no branco. Meu próprio temor de haver contribuído indiretamente para a descoberta da área 2 era infundado. A coisa se passara de outra maneira, felizmente para mim.
Enviei os textos de minha polêmica com Marcelo Paiva e a cópia desse relatório para alguns historiadores. Jacob Gorender, com sua dignidade exemplar, assumiu a responsabilidade de esclarecer o episódio, a partir desse material e de outros documentos sigilosos que informou possuir.
Duas semanas depois, enviou carta à Folha de S. Paulo e a O Estado de S. Paulo, comunicando:
"Na primeira edição do meu livro 'Combate nas Trevas' (...) escrevi (...) que Celso Lungaretti forneceu ao Exército a primeira informação sobre um campo de treinamento de guerrilheiros da VPR em Jacupiranga, no vale do Ribeira. (...) Não obstante, no mês corrente, Celso Lungaretti contatou-me, por via telefônica, para chamar a minha atenção para o fato de que dera a aludida informação sob tortura e sabendo que o campo de treinamento onde estivera se encontrava desativado havia dois meses. O relatório do comandante do 2º Exército na época, general José Canavarro Pereira, co-assinado pelo general Ernani Ayrosa da Silva, sobre a Operação Registro (localidade do vale do Ribeira), confirma que, efetivamente, aquele campo de treinamento fora desativado. Sucede, no entanto, que, quase simultaneamente, chegaram ao 2º Exército informações procedentes do 1º Exército, com sede no Rio de Janeiro, de que um novo campo de treinamento de guerrilheiros, adjacente ao anterior, se encontrava em atividade. (...) A respeito dessa segunda área, nenhuma responsabilidade cabe a Celso Lungaretti, que ignorava a sua existência. Sua vinculação com o episódio restringiu-se, por conseguinte, à informação sobre a área que sabia desativada, fornecida, segundo afirma, sob tortura irresistível."
A publicação desta carta do Gorender na Folha de S. Paulo (ver aqui) abriu caminho para o lançamento do meu livro Náufrago da Utopia (ver aqui). Eu considerei acertadas minhas contas com a História e passei priorizar as lutas presentes, ao invés de ficar remoendo o passado.
Aí foi lançado o documentário Tempo de Resistência, com a insólita acusação do ex-companheiro Darcy Rodrigues. Em meados da década atual, ninguém sequer cogitava traição da minha parte. Torturado com relatórios médicos e lesão para apresentar não pode ser confundido com os cabos Anselmos da vida.
Mandei mensagem ao autor do livro que serviu de base para o filme, Leopoldo Paulino ( leopoldo@leopoldopaulino.com.br ), esclarecendo não só que a acusação era infundada, como que Darcy Rodrigues tinha um motivo pessoal, não político, para fazê-la, sendo que a desavença entre nós dois era conhecida e constava até de livro de um jornalista sobre o período.
Leopoldo Paulino nada respondeu. E, como o documentário teve pouca repercussão nos cinemas, acabei deixando pra lá.
Sua exibição na TV a cabo, entretanto, está atingindo público mais amplo. Então, voltei a protestar, pedindo-lhe que fizesse algum tipo de retificação ou esclarecimento.
Também contatei o cineasta André Ristum ( andreristum@yahoo.com ), diretor do filme, que respondeu:
"Para a realização deste documentário eu e minha empresa fomos contratados pelo Leopoldo Paulino, para executar a obra baseada em seu livro.
"Assim, conforme contrato assinado entre nós, o responsável pelo conteúdo, seja do ponto de vista das informações passadas seja do ponto de vista legal, é o próprio Leopoldo Paulino.
"Eu, até pela minha pouca idade, não poderia jamais me responsabilizar por informações a respeito de uma época que não vivi e pouco conheço.
"Peço então que se comunique diretamente com o Leopoldo, ou com o Darcy...".
Mas, em entrevista posterior à que concedeu para o filme (ver aqui), o próprio Darcy deixou de sustentar a antiga acusação:
"[Darcy] Discorre também sobre o erro de haver levado para o campo pessoas, que não estavam totalmente convencidas dessa necessidade e de outras, que não tinham conhecimento completo da organização. Cita um caso: 'Celso Lungaretti foi para a primeira área, não se deu bem, voltou para a cidade e nem conheceu a segunda' [grifo meu]."
Em respeito à trajetória de luta do Darcy, optei por considerar suficiente este seu reconhecimento da minha inocência. Melhor passarmos uma borracha em acontecimentos tão distantes quanto deprimentes.
Quanto a Paulino, falhou como revolucionário, pois foi duas vezes alertado de que cometia uma injustiça contra outro revolucionário e em ambas se omitiu: nem corrigiu seu erro, nem sustentou sua posição. Apenas calou.
E falhou como escritor que pretende historiar a resistência, já que não teve a mínima preocupação prévia de ouvir quem sofria grave acusação, nem se dispôs a apresentar o outro lado quando isto lhe foi depois formalmente solicitado.
Segundo um jurista que me-é solidário, caberiam três providências legais neste caso, que poderiam até ser tomadas simultaneamente:
"a formalização de um pedido de direito de resposta ao Canal Brasil, que foi o veículo pelo qual esta afronta à sua imagem foi desferida";"o pedido judicial para que este documentário seja editado, sob pena de sua execução em território nacional ser proibida, com cominação de multa caso a ordem venha a ser descumprida";"o pedido de reparação por danos morais, contra os produtores do documentário e o próprio difamador, já que tal veiculação já está lhe causando problemas e constrangimentos".
Mas, depois de haver lutado tanto por uma noção mais elevada de Justiça, estaria faltando com meus princípios se recorresse a uma instância do Estado que execro, contra outro ex-militante da resistência.
É no tribunal das consciências que tais atitudes devem ser julgadas. Então, preferi apenas expor os fatos, para que cada leitor tire suas conclusões e, se quiser, tome alguma atitude.
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5 Feb 2010
Celso Lungaretti
Está no Houaiss:
algaravia
2 Derivação: sentido figurado.
linguagem muito confusa, incompreensível; charabiá
3 Derivação: por extensão de sentido.
coisa difícil de entender
É como se podem qualificar todos os textos de Laerte Braga.
Diz que foi jornalista. Eu jamais o acusaria disto, face à sua estarrecedora falta de rigor na informação, clareza na expressão, perspicácia na interpretação e consistência na opinião; mistura o tempo todo alhos com bugalhos, sem a mínima noção de pertinência nem o comezinho cuidado de fornecer provas do que afirma.
Nada de links, de testemunhos, de fontes comprováveis. Apenas palavras desconexas ao vento e gracejos que beiram a puerilidade.
Chega ao cúmulo de atribuir a Rosa Luxemburgo o "não passarão!" de Dolores Ibarruri, A Pasionária. Eis o parágrafo na ... (más)
Está no Houaiss:
algaravia
2 Derivação: sentido figurado.
linguagem muito confusa, incompreensível; charabiá
3 Derivação: por extensão de sentido.
coisa difícil de entender
É como se podem qualificar todos os textos de Laerte Braga.
Diz que foi jornalista. Eu jamais o acusaria disto, face à sua estarrecedora falta de rigor na informação, clareza na expressão, perspicácia na interpretação e consistência na opinião; mistura o tempo todo alhos com bugalhos, sem a mínima noção de pertinência nem o comezinho cuidado de fornecer provas do que afirma.
Nada de links, de testemunhos, de fontes comprováveis. Apenas palavras desconexas ao vento e gracejos que beiram a puerilidade.
Chega ao cúmulo de atribuir a Rosa Luxemburgo o "não passarão!" de Dolores Ibarruri, A Pasionária. Eis o parágrafo na íntegra, mescla perfeita de ignorância política com paralelismos descabidos:
"Que Rosa de Luxemburgo tenha dito 'não passarão' é uma coisa. Na afirmação de Lungaretti é uma heresia. Aquele negócio de Tarzã sair de galho em galho através de cipós e com Chita nos ombros, enquanto Jane esperava para o jantar, só em cinema" (vide aqui).
Não, Laerte. Rosa de Luxemburgo afirmou que a verdade é revolucionária. Freud provavelmente avaliaria que, ao trocar as bolas, você cometeu um ato falho: sua ojeriza à verdade é tamanha que nem consegue repetir a frase que consagra seu primado sobre as versões convenientes.
Pois, nisto também você se diferencia dos verdadeiros jornalistas: ao invés de resgatar a verdade para disponibilizá-la aos leitores, você apenas a manipula e maquila para parecer corroborar a lição que desde o início queria ministrar aos devotos.
Como no domingo seguinte ao golpe contra Manuel Zelaya, quando você trombeteou que a repressão hondurenha assasinara 50 manifestantes de uma tacada só.
Depois nem lhe passou pela cabeça pedir desculpas por esse chute mirabolante, pois o exagero é a alma da propaganda... e propaganda é o que você faz.
Se não está comprometido com a verdade como (ex) jornalista, você também não o está como revolucionário (não colocarei aqui um "ex" insultuoso porque jamais pagarei insinuações ignóbeis com a mesma moeda).
Politicamente, você é expressão fiel daquela degeneração burocrática da revolução soviética que Rosa Luxemburgo captou no nascedouro e lhe inspirou a máxima imortal. Pertence à estirpe dos homens do aparelho, daqueles que acreditam em mudar a sociedade a partir dos gabinetes do poder, em cuja órbita sempre oscilam.
Antes defendia o Governo Lula até no que ele tinha de indefensável para um homem de esquerda, com obediência canina. Depois trocou de amo e senhor, repudiando Lula e erigindo Hugo Chávez em guia genial dos povos.
Não estão excluídos novos ziguezagues, mas posso apostar que você continuará sempre caudatário de algum governo.
Sua revolução cheira a mofo palaciano, Laerte. Nela não entra o ar puro da praça, que é do povo como o céu é do condor.
De resto, por mais jogo sujo e provocações que façam você e aqueles que o escalaram para atacar-me, continuarei cumprindo a missão que assumi: contribuir para a afirmação de uma esquerda libertária no Brasil.
E só o que eu tinha a lhe dizer, Laerte. Sua algaravia não justifica mais do que isto.
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4 Feb 2010
Celso Lungaretti
Três notícias da semana sobre o premiê italiano Silvio Berlusconi, que estará chegando ao Brasil ainda neste mês de fevereiro:
em visita oficial a Israel, qualificou de "injusto" o Relatório Goldstone, já aprovado pela ONU, segundo o qual o estado judeu "cometeu crimes de guerra e, possivelmente, contra a humanidade", no início do ano passado, quando de seus ataques devastadores na faixa de Gaza. Para Berlusconi, Israel tinha "direito de se defender dos foguetes lançados contra seu país";também somou sua voz à dos que pregam uma intervenção estrangeira no Irã, além de cometer o exagero de comparar Ahmadinejad a Hitler ("O problema de segurança é fundamental para Israel. Agora ainda mais, porque há um Estado que prepara uma bomba atômica para usá-la contra alguém. Um Estado com um líder q... (más)
Três notícias da semana sobre o premiê italiano Silvio Berlusconi, que estará chegando ao Brasil ainda neste mês de fevereiro:
em visita oficial a Israel, qualificou de "injusto" o Relatório Goldstone, já aprovado pela ONU, segundo o qual o estado judeu "cometeu crimes de guerra e, possivelmente, contra a humanidade", no início do ano passado, quando de seus ataques devastadores na faixa de Gaza. Para Berlusconi, Israel tinha "direito de se defender dos foguetes lançados contra seu país";também somou sua voz à dos que pregam uma intervenção estrangeira no Irã, além de cometer o exagero de comparar Ahmadinejad a Hitler ("O problema de segurança é fundamental para Israel. Agora ainda mais, porque há um Estado que prepara uma bomba atômica para usá-la contra alguém. Um Estado com um líder que nos recorda personagens nefastos do passado");enquanto isto, na Itália, sua bancada na Câmara dos Deputados conseguiu fazer aprovar um projeto de lei que, caso obtenha a anuência também do Senado, lhe permitirá driblar eternamente a Justiça, pois bastará alegar compromissos oficiais para não ser obrigado a atender as convocações judiciais.
É chocante que num país do 1º mundo, em pleno século 21, sejam sequer tentados tais casuísmos descarados.
Berlusconi, que já escapou pela tangente de ser punido pela cobertura política que dava à Máfia siciliana nos anos 90, aspira à impunidade sem inocência também nos processos de fraude fiscal e suborno dos quais é reu.
Abusando vergonhosamente de sua condição de primeiro-ministro, tenta escapar da Justiça mudando as regras do jogo, ao impulsionar a introdução de leis que o beneficiam.
Caso do projeto para que seja reduzido o prazo de prescrição de processos judiciais cujas penas totalizem menos de dez anos, à espera de votação na Câmara. Se transformado em lei, por coincidência, fará com que os processos contra Berlusconi prescrevam imediatamente.
A primeira tentativa que o Executivo e o Legislativo italianos fizeram para atar as mãos do Judiciário foi a promulgação de uma lei conferindo imunidade penal aos ocupantes dos quatro cargos mais altos da administração pública do país.
Isto mantinha Berlusconi a salvo dos processos judiciais até 2013, quando findará seu patético mandato. Mas, o Tribunal Constitucional, instância suprema do Judiciário do país, varreu essa imundície -- que, entretanto, também estão tentando retirar da lixeira...
P.S.: antecipando-me às críticas de quem se posiciona politicamente com o primarismo das torcidas organizadas de futebol, esclareço que, em nome do direito de autodeterminação dos povos, repudiarei qualquer invasão do Irã, assim como minha oposição intransigente à pena de morte me leva a repudiar as execuções em curso no Irã. Eu sempre defendo princípios, não governos.
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3 Feb 2010
Celso Lungaretti
O Governo do Irã já executou dois cidadãos envolvidos com as manifestações de protesto contra fraude eleitoral na reeleição do ultraconservador presidente Mamhoud Ahmadinejad e promete mais nove execuções para os próximos dias.
É cruel. É bárbaro. É grotesco. É inconcebível. É inaceitável. É infame. É repulsivo.
Uma das primeiras noções de justiça a que os homens chegaram, em tempos imemoriais, foi a do olho por olho, dente por dente.
E, ao longo dos séculos, consagrou-se o entendimento de que só crimes capitais devem ser punidos com a pena capital.
Mais recentemente, os cidadãos de países realmente civilizados abandonaram até mesmo este pretexto para assassinarem legalmente seus semelhantes.
Alguém perguntará: a Justiça dos EUA não é civilizada?
Respondo: quanto a isto, não. De jeito nenhum... (más)
O Governo do Irã já executou dois cidadãos envolvidos com as manifestações de protesto contra fraude eleitoral na reeleição do ultraconservador presidente Mamhoud Ahmadinejad e promete mais nove execuções para os próximos dias.
É cruel. É bárbaro. É grotesco. É inconcebível. É inaceitável. É infame. É repulsivo.
Uma das primeiras noções de justiça a que os homens chegaram, em tempos imemoriais, foi a do olho por olho, dente por dente.
E, ao longo dos séculos, consagrou-se o entendimento de que só crimes capitais devem ser punidos com a pena capital.
Mais recentemente, os cidadãos de países realmente civilizados abandonaram até mesmo este pretexto para assassinarem legalmente seus semelhantes.
Alguém perguntará: a Justiça dos EUA não é civilizada?
Respondo: quanto a isto, não. De jeito nenhum!
Permanece ancorada na mentalidade vingativa e autoritária, bem ao estilo de uma nação moldada por fanáticos religiosos que a Inglaterra expeliu por não suportar mais sua intolerância.
Marx estava certo, a trajetória da humanidade é uma marcha para a civilização, à qual vamos penosamente ascendendo degrau por degrau, a despeito dos retrocessos transitórios.
Regimes fundamentalistas não passam de excrescências medievais num mundo que se tornou capitalista e, hoje, enfrenta o desafio de trocar a primazia do lucro pela do atendimento das necessidades humanas ou perecer.
Encaram governos como expressão de desígnios superiores, daí punirem com a morte quem os tenta derrubar, porque ofenderam a divindade.
O crime imputado aos 11 foi exatamente este: o de "inimigos de Deus".
É um problema de cultura? Devemos respeitar o primitivismo, deixar que os povos atrasados se trucidem à vontade? Se os indigenas ainda praticassem o canibalismo, o certo seria cruzarmos os braços enquanto eles se banqueteassem com os inimigos derrotados?
O pior é que nem de longe existe unanimidade no Irã. Muitos resistem -- e nos fazem lembrar os estudantes responsáveis pelas passeatas do 1968 brasileiro! As execuções estão servindo para os intimidar.
Israel e os EUA municiam a oposição a Ahmadinejad? Provavelmente, sim.
Mas, daí a concluirmos que o governo por ela formado seria subserviente a ambos vai uma grande distância.
Os franceses também apoiaram os estadunidenses na luta pela independência (para atingir os interesses de seus inimigos ingleses), mas, nem por isso, o governo resultante foi capacho da França.
Salta aos olhos que quem está nas ruas do Irã encarando a morte de peito aberto, o faz por idealismo. São esses os nossos iguais, não os déspotas e os carrascos.
Revolucionários não podem compactuar com essas execuções, crimes hediondos, pois estarão atirando no próprio pé: quem corre mais risco do que nós, de ser executado por tentar derrubar governos?
A rua é sempre de duas mãos. O que Ahmadinejad faz hoje inspirará os Pinochets de amanhã.
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2 Feb 2010
Celso Lungaretti
Uma campanha de satanização ocupa alguns espaços da esquerda virtual. Explicitamente, contra a Anistia Internacional e instituições que defendem os direitos humanos. Implicitamente, contra mim e contra Carlos Lungarzo, articulistas sintonizados tanto com os ideais revolucionários quanto com os DH.
Tudo começou quando, na véspera da posse de Porfirio Lobo, a Anistia Internacional se posicionou contra a intenção do novo presidente hondurenho, de passar uma borracha sobre os acontecimentos recentes.
A AI conclamou Lobo a não relevar os assassinatos, torturas, estupros e intimidações praticados pelo governo golpista de Micheletti, mas sim apurá-los e levar aos tribunais seus autores, para que a impunidade não servisse como estímulo para outros trogloditas atentarem contra resistentes no futur... (más)
Uma campanha de satanização ocupa alguns espaços da esquerda virtual. Explicitamente, contra a Anistia Internacional e instituições que defendem os direitos humanos. Implicitamente, contra mim e contra Carlos Lungarzo, articulistas sintonizados tanto com os ideais revolucionários quanto com os DH.
Tudo começou quando, na véspera da posse de Porfirio Lobo, a Anistia Internacional se posicionou contra a intenção do novo presidente hondurenho, de passar uma borracha sobre os acontecimentos recentes.
A AI conclamou Lobo a não relevar os assassinatos, torturas, estupros e intimidações praticados pelo governo golpista de Micheletti, mas sim apurá-los e levar aos tribunais seus autores, para que a impunidade não servisse como estímulo para outros trogloditas atentarem contra resistentes no futuro.
Apoiei tal posição, claro, porque é simplesmente a única cabível para um um homem civilizado - e, ainda mais, para um revolucionário.
Os crimes da repressão não devem ser anistiados, mas sim punidos. É como sempre nos posicionamos em relação à anistia brasileira de 1979, que igualou as vítimas a seus carrascos.
No entanto, passaram a surgir contestações delirantes, na linha de que, ao apelar para Lobo, a AI estaria reconhecendo seu governo ilegítimo.
Ora, o que importa, afinal, esse pseudo-reconhecimento por parte da AI, quando foi o presidente ilegalmente deposto o primeiro a reforçar a autoridade de Lobo?!
Manuel Zelaya não só negociou com Lobo para obter um salvo-conduto que lhe permitisse deixar o país, como expressou sua disposição de contribuir para a "reconciliação nacional".
E não se posicionou, que eu saiba, contra a anistia de Lobo, que o beneficiará tanto quanto àqueles que derramaram o sangue dos hondurenhos.
Para quem vive no mundo real, já não existe a mais remota dúvida de que a crise hondurenha foi superada.
Teve um péssimo desfecho, claro, mas não adianta brigarmos com fatos consumados. A comunidade internacional acabará reconhecendo Lobo, como o próprio Brasil se prepara para o fazer. É tudo questão de tempo.
Por quê? Porque a resistência a um golpe de Estado em nome do presidente deposto só se mantém enquanto tal presidente permanece firme.
Ao abandonar o Brasil em 1964, João Goulart deixou de ser a bandeira dos que resistiam à quartelada. A luta contra o arbítrio ainda mobilizava muita gente. A restituição de Goulart, não. Ao priorizar a salvação da própria pele, ele se descredenciara para o exercício do poder.
Da mesma forma, a pá de cal na resistência hondurenha ao golpe de 2009 foi o acordo selado por Zelaya com Lobo. O resto é desconversa e/ou sonho de uma noite de verão.
A luta pela justiça social em Honduras passou para outra etapa; quem insistir em olhar para trás não responderá adequadamente aos novos desafios, nem enxergará as possibilidades que surgirão doravante.
A História é dinâmica... e implacável com quem não consegue acompanhar tal dinâmica.
Quanto à Anistia Internacional, ela só pode conclamar os governantes a respeitarem os valores civilizados. Não tem tropas para impor sua vontade a mandatários, nem para derrubar governos ilegais e/ou injustos.
Sua autoridade é moral - e, enquanto tal, indiscutível.
Só pessoas com poucas informações ou muita má fé são capazes de a questionar, com suas obtusas teorias conspiratórias que remontam à guerra fria (e, como ressaltou o Lungarzo, são edificadas no vácuo, já que não citam fontes confiáveis nem oferecem provas de nada).
De resto, não há explicação plausível para essa grita histérica e essa argumentação estapafúrdia que tantos lançaram repentina e simultaneamente contra a AI, a não ser a de uma orquestração política.
Seu objetivo será o de solapar a credibilidade das instituições defensoras dos DH, para diminuir o impacto de seus relatórios contra governos "amigos" que atropelam os valores civilizados?
Ou se trata de uma reação ao prestígio que o Lungarzo e eu conquistamos ao travarmos a luta, extremamente desigual, contra os linchadores de Cesare Battisti?
Poderá, ainda, ter sido inspirada pelo temor de que finalmente frutifique minha pregação de anos, no sentido de que os ideais revolucionários não servem como desculpa para violações dos DH e de que a revolução só voltará a ser internacional caso conquiste também a adesão dos cidadãos das nações mais desenvolvidas (que são muito ciosos de sua liberdade).
Provavelmente, de tudo um pouco.
O certo é que pregações rancorosas e negativas jamais ampliarão nossas fileiras.
Continuarei cumprindo a missão que assumi, de abrir mentes e sensibilizar corações para a possibilidade de se proporcionar a todos os habitantes do planeta uma existência digna, a partir de uma nova organização da sociedade, que contemple o atendimento das necessidades humanas e não a realização do lucro.
E meu lema continuará sendo o de que quem não está contra mim, poderá ser meu aliado.
É assim que agem os empenhados em mudar o mundo: somando apoios, ao invés de hostilizar e afugentar quem não reza exatamente pela mesma cartilha.
Há uma grande diferença entre revolucionários e fanáticos religiosos. Uns constroem o futuro, outros querem recriar o passado.
Não passarão.
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1 Feb 2010
Celso Lungaretti
Deu na BBC Brasil: Israel pune oficiais por uso de fósforo branco durante ofensiva em Gaza.
Como tardia e insuficiente satisfação à opinião pública internacional, o Exército de Israel comunicou à Organização das Nações Unidas haver aplicado punição disciplinar a um general de brigada e um comandente de divisão por terem "arriscado vidas humanas" ao autorizarem a utilização de armamentos com fósforo branco no bombardeio do bairro de Tel El Hawa.
O episódio se deu em 15/01/2009, durante os massacres israelenses na Faixa de Gaza -- aquela campanha singular na história militar, que terminou com 1.434 palestinos mortos e apenas 13 baixas do lado dos agressores...
Eis os trechos mais significativos do despacho da agência noticiosa britânica:
"É a primeira vez que Israel admite a utilização de f... (más)
Deu na BBC Brasil: Israel pune oficiais por uso de fósforo branco durante ofensiva em Gaza.
Como tardia e insuficiente satisfação à opinião pública internacional, o Exército de Israel comunicou à Organização das Nações Unidas haver aplicado punição disciplinar a um general de brigada e um comandente de divisão por terem "arriscado vidas humanas" ao autorizarem a utilização de armamentos com fósforo branco no bombardeio do bairro de Tel El Hawa.
O episódio se deu em 15/01/2009, durante os massacres israelenses na Faixa de Gaza -- aquela campanha singular na história militar, que terminou com 1.434 palestinos mortos e apenas 13 baixas do lado dos agressores...
Eis os trechos mais significativos do despacho da agência noticiosa britânica:
"É a primeira vez que Israel admite a utilização de fósforo branco, armamento proibido pelas leis internacionais, contra civis na Faixa de Gaza.
"É a primeira vez que o Exército israelense anuncia a punição de comandantes militares por atos cometidos durante a ofensiva.
"Antes do envio do documento à ONU, a versão do Exército israelense era de que o fósforo branco teria sido utilizado apenas para fins de 'dificultar a visibilidade das tropas pelo inimigo' e não diretamente contra civis.
"O armamento, que cria uma especie de 'cortina de fumaça', é altamente perigoso quando atinge pessoas pois gera queimaduras profundas.
"No caso mencionado no relatório do Exército israelense, projéteis com fósforo branco atingiram a sede da Agencia de Refugiados da ONU (UNRWA) na cidade de Gaza, deixando vários civis feridos e provocando um incêndio no local".
Salta aos olhos que punições disciplinares são simplesmente risíveis face à gravidade do crime cometido pelos militares israelenses, além de deixarem a impressão (para não dizermos certeza) de que tudo não passa da velha artimanha de tapar o sol com a peneira, produzindo dois bodes expiatórios para levarem a culpa de decisões que envolveram toda a cadeia de comando.
Alguma resposta Israel tinha de dar à acusação frontal do Relatório Goldstone. Deu essa. E seus porta-vozes militares correram a trombetear que "o documento enviado à ONU demonstra que o Exército israelense não tem o que esconder".
Para os leitores entenderem ainda melhor o tema em pauta, eis alguns trechos do artigo que escrevi no final de setembro, quando a lebre foi levantada: Investigadores da ONU concluem: Israel massacrou civis em Gaza:
"Os genocídios e atrocidades perpetrados por Israel durante sua campanha de intimidação dos palestinos em dezembro/2008 e janeiro/2009 foram veementemente condenados pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, em relatório [recém] divulgado.
"Segundo o documento, a ofensiva de Israel foi direcionada contra 'o povo de Gaza em conjunto', configurando 'uma política de castigo'.
"Mais: 'Israel não adotou as precauções requeridas pelo direito internacional para limitar o número de civis mortos ou feridos nem os danos materiais'.
"Portanto, o estado judeu 'cometeu crimes de guerra e, possivelmente, contra a humanidade'.
"A missão recomendou à Assembleia Geral da ONU que promova uma discussão urgente sobre o emprego do fósforo branco, que foi usado indiscriminadamente pelos israelenses contra a população civil de Gaza. A utilização militar do fósforo branco é proibida tanto pela Convenção de Genebra quanto pela Convenção de Armas Químicas".
Aliás, seria educativo indagarmos ao Exército israelense se o general de brigada e o comandante de divisão, únicos culpados, fabricaram pessoalmente os armamentos com fósforo branco, que jamais deveriam estar disponíveis no arsenal de uma nação civilizada.
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31 Jan 2010
Celso Lungaretti
Com uma vitória magnífica no Aberto da Austrália, Roger Federer confirmou sua condição de maior tenista de todos os tempos.
E daí, perguntarão os leitores deste blogue, acostumados a nele encontrarem, principalmente, abordagens políticas?
No meu caso, a paixão por alguns esportes antecedeu qualquer juízo político ou ideológico, então não tenho justificativas óbvias para dar.
Por exemplo, sou corinthiano, torcedor do time do povo. Mas, a opção futebolística veio quando, aos quatro anos de idade, moleques da rua me perguntaram para qual time torcia e eu não sabia o que responder, por que isso nunca me interessara.
Mas, é uma idade em que não queremos ficar em desvantagem aos olhos alheios. Então, disse "Corinthians", porque era o time do meu pai. E Corinthians ficou.
Mais tarde, percebi ter fe... (más)
Com uma vitória magnífica no Aberto da Austrália, Roger Federer confirmou sua condição de maior tenista de todos os tempos.
E daí, perguntarão os leitores deste blogue, acostumados a nele encontrarem, principalmente, abordagens políticas?
No meu caso, a paixão por alguns esportes antecedeu qualquer juízo político ou ideológico, então não tenho justificativas óbvias para dar.
Por exemplo, sou corinthiano, torcedor do time do povo. Mas, a opção futebolística veio quando, aos quatro anos de idade, moleques da rua me perguntaram para qual time torcia e eu não sabia o que responder, por que isso nunca me interessara.
Mas, é uma idade em que não queremos ficar em desvantagem aos olhos alheios. Então, disse "Corinthians", porque era o time do meu pai. E Corinthians ficou.
Mais tarde, percebi ter feito a escolha certa. Provavelmente por ter sido o primeiro grande paulista a admitir negros no seu elenco, os miseráveis e excluídos adotaram o Corinthians como seu representante mítico.
Assim, tem como símbolo mais frequente o mosqueteiro, um herói das classes baixas lutando contra os poderosos da corte para fazer prevalecer a verdadeira justiça.
Mas, a idade foi mudando meu olhar para o mundo. Até 1977, eu era como qualquer torcedor fanático, querendo que, a qualquer preço, o Corinthians fosse campeão, pois não conquistava esse título desde 1954.
O fim do jejum me libertou para apreciar o futebol mais como beleza. Principalmente porque o Corinthians passou a dar exibições primorosas da arte futebolística, com a dupla Sócrates/Palhinha em 1979 e com o inesquecível time da democracia corinthiana em 1982 e 1983.
Foi também a época da extraordinária Seleção Brasileira do Mundial de 1982, com os foras-de-série Falcão, Zico e Sócrates na zona de raciocínio, produzindo seus lampejos fulgurantes.
Era como ter Cruyff desdobrado em três, regendo uma orquestra que produzia sonoridades sublimes (mas, às vezes, desafinava por causa da indefinição quanto a quem realmente eram os solistas...).
Foi a derrota mais sofrida de quantas amarguei no futebol. Eu trocaria dez conquistas insossas como a de 1994 pela vitória do futebol-arte em 1982.
E os esportes individuais?
Afora o futebol, único esporte coletivo que sempre me atraiu (a outros, como o vôlei e o basquete, eu só assisto nos grandes momentos), acompanhei com atenção o boxe e o xadrez, no passado; e até hoje me ligo no automobilismo e no tênis.
Refletindo um pouco sobre essas paixões, percebi que os quatro têm em comum colocarem o indivíduo diante de desafios extremos, andando no fio da navalha. São esportes em que só é grande quem alia uma vontade sobre-humana a um autocontrole inacessível aos comuns mortais.
No boxe, todos lembram a técnica refinadíssima de um Muhammad Ali, mas ele era muito mais do que isso. Tinha dons de grande estrategista, era como se combinasse os papéis de pugilista e de técnico.
Foi assim que ele venceu o invencível George Foreman, na maior luta de todos os tempos. Boxeou francamente contra ele no primeiro assalto e percebeu que jamais conseguiria a vitória lutando de igual para igual. A força descomunal do lutador mais jovem prevaleceria.
Então, adotou a postura que qualquer pugilista comum consideraria suicida diante da enorme potência dos golpes de Foreman: deixou-se ficar encostado nas cordas, recebendo o bombardeio e aparando-o com sua guarda.
Alguns obuses atingiam o alvo de raspão, outros se chocavam com os braços de Ali. Nenhum o abalou de verdade. E Foreman, acostumado a nocautes rápidos, foi se cansando.
No quinto assalto, o Ali aparentemente apático, que só se defendia, mostrou que era, isto sim, um tigre se preparando para dar o bote: com um contra-ataque fulminante, quase nocauteou Foreman.
Depois de mais dois rounds letárgicos, foi o que acabou acontecendo. Ali novamente surpreendeu Foreman e, com uma sequência de golpes cuja rapidez era inimaginável àquela altura de uma luta tão exaustiva, metralhou a cabeça de Foreman até fazer o gigante desabar em câmara lenta no ringue.
A coragem que deu a vitória a Ali nessa luta foi a mesma que o manteve no ringue até o fim de uma luta na qual teve seu maxilar fraturado no 2º round, contra Ken Norton.
O castigo que recebeu de Foreman foi tão terrível que, depois da vitória consumada, ele teve até um breve desmaio (que poucos perceberam) durante as comemorações. Até então, entretanto, a adrenalina o mativera em pé.
No xadrez também a pressão moral que um campeão suporta é devastadora, tendo de refletir sobre infinitas combinações enquanto o relógio o acossa.
É simplesmente inacreditável que o jovem desafiante Garry Kasparov tenha aguentado umas 20 partidas contra o campeão Anapoly Karpov, com 5x1 contra e dependendo só de uma derrota mais para perder o match, sem cometer falha nenhuma.
Forçou empate após empate, até que foi o veterano quem desabou: perdeu duas vezes seguidas e perderia as três restantes, se o match não tivesse sido anulado por "desumanidade" das regras (exigiam seis vitórias, pouco importando quantas partidas fossem necessárias para um deles alcançar tal total).
O socorro suspeito do presidente filipino da Federação Internacional de Xadrez não mudou o que já se decidira no tabuleiro. A coroa pertencia a Kasparov, que cumprira seu rito de passagem durante aquele torneio e dele saíra como homem e esportista superior: fulminou Karpov quando o match, zerado, foi disputado de novo.
No automobilismo, Schumacher não conquistou sete Mundiais de Fórmula 1 por acaso. Conseguiu aliar o senso estratégico de um Prost com o arrojo de um Senna (só o utilizando, entretanto, quando estritamente necessário, não se vexando em vencer corridas só na estratégia de troca de pneus, nas vezes em que isto bastava).
E Federer? Além de ser o mais completo tenista da História, "bom" ou "ótimo" em todos os fundamentos, ele foi capaz de reerguer-se depois que derrubado do pedestal por Rafael Nadal. Acostumado ao predomínio absoluto, a emergência de um verdadeiro rival o desconcertou durante alguns meses, no segundo semestre de 2008.
Mas, nas férias de fim de ano, conseguiu colocar a cabeça em ordem; e encontrou ânimo para dar a volta por cima, vencendo o desafio de retomar sua coroa.
Para sua surpresa, acabou sendo bem mais fácil do que tudo levava a crer: na verdade, Nadal forçara a natureza para derrotar o titã. Exigira mais do seu corpo do que ele era capaz. Só assim, com muita transpiração, conseguira sobrepujar a inspiração de Federer.
O preço acabou sendo alto: depois de uma temporada consagradora, foi fulminado por uma contusão no joelho que comprometeu sua temporada passada e o atormenta até hoje.
E Federer, que sempre manteve o sacrifício exigido de seus músculos no limite do razoável, agora reina soberano e pulveriza todos os recordes, tal qual Schumacher.
Como todo ser humano, admiro quem me inspira. Várias vezes meu autocontrole foi testado no limite extremo e, levando em conta a diferente magnitude dos desafios enfrentados, creio não ter ficado tão atrás de Schumacher, Kasparov e Federer. Também já ganhei partidas que pareciam totalmente perdidas, nas batalhas da vida.
E tenho, confesso, uma satisfação um tanto egoísta em presenciar os feitos dos maiores de todos os tempos. Pois, é sempre frustrante termos de ouvir falarem maravilhas sobre grandes nomes do passado, como se nada acontecesse de relevante no presente que vivemos.
Não questiono nem duvido que Leônidas da Silva, Fangio, Joe Louis e Capablanca tenham sido esportistas grandiosos.
Mas, em vez de ficar venerando quem nem sequer conheci, aprecio mais ter visto Pelé, Schumacher e Muhammad Ali superarem nitidamente os três primeiros; e saber que Kasparov, no mínimo, merece figurar ao lado do quarto, no panteão dos deuses do esporte.
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29 Jan 2010
Celso Lungaretti
O jornalista Hélio Fernandes, irmão do Millôr, dizia ser capaz de escrever um jornal inteiro, desde o editorial até os necrológios.
Por obrigação ou diversão, acabei também fazendo quase tudo com a palavra escrita: autobiografia, textos jornalísticos, cases, discursos, teses, manifestos, panfletos, crítica artística, ensaios, crônicas, poesias, roteiros, etc.
Como este conto de umas três décadas atrás, quando eu era devorador compulsivo das obras de Philip K. Dick, Robert Heinlein, Kurt Vonnegut Jr., Richard Matheson, Robert Silverberg e Ray Bradbury.
Contar ou não a verdade?
Andrônicus vê sua face no espelho, os fios grisalhos se espalhando pela barba, as rugas na testa, o olhar cansado. Lá fora as vozes excitadas, os votos de boa sorte para quem fica e quem vai, o início das despedidas.
U... (más)
O jornalista Hélio Fernandes, irmão do Millôr, dizia ser capaz de escrever um jornal inteiro, desde o editorial até os necrológios.
Por obrigação ou diversão, acabei também fazendo quase tudo com a palavra escrita: autobiografia, textos jornalísticos, cases, discursos, teses, manifestos, panfletos, crítica artística, ensaios, crônicas, poesias, roteiros, etc.
Como este conto de umas três décadas atrás, quando eu era devorador compulsivo das obras de Philip K. Dick, Robert Heinlein, Kurt Vonnegut Jr., Richard Matheson, Robert Silverberg e Ray Bradbury.
Contar ou não a verdade?
Andrônicus vê sua face no espelho, os fios grisalhos se espalhando pela barba, as rugas na testa, o olhar cansado. Lá fora as vozes excitadas, os votos de boa sorte para quem fica e quem vai, o início das despedidas.
Uma hora para a partida. Ou sessenta minutos. Ou três mil e seiscentos segundos. Três mil e seiscentas ocasiões para dizer a primeira palavra, à qual iria seguir-se outra, e outra, e outra, até que ele desembuchasse tudo. E a festa acabaria nesse exato instante, substituída pelo desespero, talvez pancadaria, provável prostração.
De que lhes serviria a verdade? Por que destruir os planos elaborados com tanta argúcia e infinitos cuidados pelos Doze?
Andrônicus olha atentamente o auto-refletor, verificando se estão impressas em seu rosto as marcas do cinismo. Lembra de uma história que foi estudada em sua classe de Antiguidade Cultural, sobre alguém que fez um pacto com uma força maligna para permanecer eternamente jovem, enquanto uma imagem bidimensional sua é que envelhecia e se transformava.
Cada vez que aquele tal... Florian?... cometia um ato vil, hipócrita ou criminoso, a imagem ficava mais feia e repulsiva. “E eu, quão repulsivo deveria parecer?” – atormenta-se Andrônicus. Mas, malgrado seu estado de espírito, o que vê são as feições de um homem digno, apesar dos traços de fadiga e desânimo.
Quando Druso lhe expôs o plano, entretanto, tudo pareceu lógico e justificável.
O solo do Território se exauria de mês a mês, de semana a semana. A produção de cereais era cada vez menor. Verduras e frutas, então, haviam se tornado raríssimas. E as severas medidas anticoncepcionais foram tomadas demasiadamente tarde.
A Colônia estava com 1.248 habitantes. Em um ano, todos estariam se alimentando mal. Em dois, haveria fome e os mais fracos começariam a sucumbir. Em três, a subnutrição, doenças e matanças coletivas acabariam reduzindo a população a menos de cem pessoas. E, mesmo para estas, a perspectiva de vida seria pouco animadora – no máximo, cinco anos.
“Por que não administrarmos esse processo, evitando o sofrimento inútil?” – propôs Druso. “Podemos fazer uma seleção científica dos indivíduos que mais merecem sobreviver e eliminar os outros de maneira rápida e indolor. Reduzindo-se imediatamente o consumo de alimentos, o horizonte de vida dos remanescentes se ampliará para uns vinte anos. Talvez dê tempo para surgir alguma salvação...”
Foi assim que Druso lhe explicou a coisa toda, quando pediu sua adesão ao plano. E Andrônicus, único arquiteto de astronaves que sobrevivera às grandes catástrofes, não parou para avaliar implicações morais; começou logo a pensar nos detalhes práticos do projeto.
Talvez tenha pesado mesmo a possibilidade de voltar a exercer sua velha profissão – que, no caso, estava em estrita sintonia com a vocação. Projetar e dirigir a construção de astronaves era o que melhor fazia, o momento em que sentia graça e desenvoltura no seu corpo habitualmente canhestro.
E tão absorto esteve, construindo a astronave para 1.150 pessoas, que nem tomou conhecimento do processo de seleção. “Ou eu estava deliberadamente me alheando?”
O certo é que sua atitude começou a mudar quando Ilana foi compartilhar de seu leito. Desde que a grande peste levara sua mulher e filhos, Andrônicus se esquivava de relacionamento afetivos. Tudo marchava para o fim e amar uma pessoa era estar sujeito a vê-la morrer antes de si, impotente para mudar o destino. Preferia partir sozinho, não deixando nada e ninguém para trás.
O desfecho, aliás, lhe parecia próximo. Na batalha pelos alimentos, cada vez mais escassos, os fortes alijariam os fracos e a juventude se imporia à velhice. Seus 45 anos não lhe inspiravam grandes ilusões; ademais, achava que já vivera o suficiente. Plantador medíocre, tinha suficiente autocrítica para saber que era um dos membros menos úteis da Colônia.
Trabalhar na construção da astronave lhe devolveu a auto-estima e injetou novo ânimo. Afinal, fazia algo que nenhum outro poderia ou saberia fazer. E, a cada cálculo que realizava ou a cada solução prática encontrada para substituir componentes que já não existiam, mais sentia-se forte e revigorado. Sem o perceber, fazia as pazes consigo mesmo e com a vida, após longos meses de indiferença.
Gostaria de acreditar que foi esta mudança íntima que trouxe a jovem Ilana para o seu leito. Mas, quando conseguia raciocinar friamente, sem a embriaguez do prazer, era obrigado a admitir que ela provavelmente fora atraído por seu novo status. Pai da Astronave, Arquiteto da Salvação – assim o chamavam. Tudo muito impressionante para uma moça que crescera no tempo das privações, sem ídolos para cultuar ou heróis para admirar.
Na primeira noite, ele a procurou quatro vezes, surpreendido com a própria virilidade, que parecia retornar com exigências multiplicadas. E por mais que tentasse conservar o equilíbrio, uma parte mais poderosa do seu eu o impelia a se atirar mais e mais sobre aquele corpo macio e tão desejável. Ao amanhecer, enquanto Ilana dormia profundamente, Andrônicus surpreendeu-se a chorar baixinho, sem saber direito por quê. Foi naquele dia que passou a prestar mais atenção no que acontecia ao seu redor.
Agora, fica imensamente pesaroso ao perceber que uma bonita morena, parecida com Ilana, comemora sua inclusão na viagem. Capta o absurdo da situação: os que partem, acreditam que encontrarão a fartura e a possibilidade de começar nova vida em Alpha Centauri, então estão exultantes; os que ficam, recebem isto como uma condenação.
Quais haviam sido mesmo os critérios da seleção? Ah, sim, lembra Andrônicus: iriam se salvar ele próprio, os Doze, os melhores cientistas e técnicos, alguns plantadores vigorosos e três moças férteis para assegurarem a sobrevivência da espécie, caso fosse encontrada uma alternativa para alimentar os pósteros (esperança remota...). Druso dissera que estaria aí a matéria-prima para uma nova civilização, ou, ao menos, para elaborar um registro fiel daquela que se extinguia.
Andrônicus, desde o início, não conseguia evitar o pensamento de que ele só entrara no rol dos sobreviventes pelo fato de ser o único arquiteto de astronaves disponível – caso contrário, ninguém lamentaria que ele explodisse no espaço.
Seu redescoberto interesse pela vida, contudo, despertou-lhe o interesse pelos que morreriam. Vasculha suas lembranças, tentando compor um perfil de cada conhecido designado para a viagem sem volta.
Percebe que, mesmo não tendo um verdadeiro amigo em toda a Colônia, era cada vez mais difícil para ele aceitar a morte de pessoas com quem convivera distraidamente nos últimos anos. Até começa a perceber virtudes e méritos em quem antes absolutamente não o atraía.
Faltando 54 minutos para a partida, procura Druso e lhe impõe uma condição: só cumprirá seu papel até o fim se Ilana for excluída da relação de passageiros. O ancião, com um olhar irônico, aceita.
Difícil mesmo é consolar a jovem, que via como uma destinação natural contribuir para a colonização de Alpha Centauri, com seu vigor e fertilidade. Andrônicus fica tentado a contar-lhe a verdade, mas se contém. A muito custo, ainda conserva o autocontrole.
Trinta e oito minutos para a decolagem. Agora, os segundos se escoam rapidamente, a partida cada vez mais próxima e, com ela, a morte física de tantas pessoas e a morte moral de Andrônicus. Ele mal consegue tirar os olhos dos digitais, sentindo duas poderosas forças lutarem dentro de si, anulando-se e paralisando-o nessa espera ansiosa.
Sabe que, quaisquer que sejam as justificativas racionais para a eliminação daquela gente, ele e os Doze serão amaldiçoados pelos deuses. Organizaram tudo com calculismo e má fé, misturando argumentos lógicos e interesses particulares. “Não merecemos sobreviver”, constata Andrônicus.
A alegria de viver, reencontrada com Ilana, volta-se contra ele, na forma de uma acusação: seu ninho amoroso se assentará sobre cadáveres.
E se falar? Aí, estará tirando a última esperança de toda a comunidade. Morrerão todos, do mesmo jeito, e sem nenhuma ilusão. Será um preço justo a pagar para que o cidadão Andrônicus conserve sua integridade moral?
Repassa os prós e contras, enquanto o tempo marcha inexoravelmente. A 28 minutos da decolagem, Ilana vem até ele, chorosa, após ter se despedido da família. “Pelo menos nós continuaremos juntos, é meu único consolo” – diz. Isto faz Andrônicus sair do impasse.
Compreende que o vôo da morte piedosa não é errado em si, mas as pessoas que tomaram uma decisão tão terrível não devem lucrar com ela. Quem é capaz de sacrificar tantos e tantos companheiros em nome de uma lógica abstrata tem algo de desumano dentro de si, não serve como semente de uma nova civilização nem como oficiante do enterro da velha. Há outros mais dignos para esses papéis.
Ademais, a perspectiva de ter Ilana como recompensa de sua ignomínia é demais para Andrônicus. Só existe um caminho para livrá-lo da abjeção absoluta. E ele resolve ir em frente.
Os Doze estão reunidos na Sala do Poder. Compungidos, até chorosos, mas com a inabalável determinação de sobreviverem. Mesmo sabendo que têm poucos anos pela frente; cinicamente, dizem que, para cada um que morrer, mais alimentos sobrarão para os sobreviventes.
Andrônicus não vacila nem se deixa intimidar. Diz aos anciães que, ou anunciam sua decisão de seguirem também na astronave, ou toda a trama vai ser revelada e os Doze acabarão sendo trucidados pelo povo em fúria. O ultimato acaba sendo aceito.
Treze que se preparavam para viajar, são então forçados a desistir. Adrônicus faz questão de indicá-los pessoalmente: filósofos, poetas e músicos, que deles uma nova civilização não pode prescindir.
Na hora do embarque seu último olhar é para Ilana. “Céus, quanto tempo desperdicei!” – reflete, exatamente quando tempo é o que já não tem.
A bordo, é quem com mais veemência fala sobre as delícias que encontrarão em Alpha Centauri. Quase se convence de que seja realmente fértil e habitável, ao invés de mais um entre todos os planetas áridos e desolados que cercam o agonizante Território.
Nos momentos que antecedem a explosão, seus pensamentos são mesmo para o corpo de Ilana. E tão bem o recorda que, a poucos segundos da hora final, tem uma ereção.
Dando-se conta do absurdo da situação, não consegue reprimir um acesso de riso, que vai contagiando um a um os companheiros de viagem, até desembocar numa ruidosa e triunfal gargalhada.
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29 Jan 2010
Celso Lungaretti
Este artigo foi publicado em agosto último, mas, como diria o velho e bom Teatro de Arena, é um texto "que se parece ao presente, pela verdade em questão". Vale a pena ler de novo.
Está em curso mais uma operação de censura velada a meus textos.
A Igreja Católica, pelo menos, colocava abertamente certas obras em seu index, no tempo da Inquisição. Tais textos eram vetados por ordem superior para todo seu rebanho, ponto final.
Hoje, as coisas se processam de forma dissimulada... e mais covarde.
A direita segue o modelo macartista, o das listas negras. Então, há jornais e revistas para quem simplesmente não existo. Nem mesmo em assuntos flagrantemente relacionados à minha trajetória de lutas as editorias de Política podem me ouvir ou acolher meus pedidos de espaço para apresentar o outro lado... (más)
Este artigo foi publicado em agosto último, mas, como diria o velho e bom Teatro de Arena, é um texto "que se parece ao presente, pela verdade em questão". Vale a pena ler de novo.
Está em curso mais uma operação de censura velada a meus textos.
A Igreja Católica, pelo menos, colocava abertamente certas obras em seu index, no tempo da Inquisição. Tais textos eram vetados por ordem superior para todo seu rebanho, ponto final.
Hoje, as coisas se processam de forma dissimulada... e mais covarde.
A direita segue o modelo macartista, o das listas negras. Então, há jornais e revistas para quem simplesmente não existo. Nem mesmo em assuntos flagrantemente relacionados à minha trajetória de lutas as editorias de Política podem me ouvir ou acolher meus pedidos de espaço para apresentar o outro lado.
Já os portais e sites esquerda passam, da noite para o dia, a considerar inaceitáveis os artigos que antes publicavam aos montes. Sem coincidência nenhuma, isto acontece sempre depois de eu haver manifestado uma opinião herética.
Formado na geração 68, acostumei-me a considerar que só divergências estratégicas separam revolucionários.
As táticas estavam abertas ao debate, sem que nenhum de nós fosse satanizado por discordar de uma linha de ação, em benefício de outra igualmente identificada com valores de esquerda.
Hoy, no más. Por qualquer questiúncula pode-se sofrer o questionamento/estigmatização por parte de verdadeiros rolos compressores virtuais.
Muitos se deixam intimidar por esse patrulhamento odioso. Noblesse oblige, resisto e sempre resistirei a ele.
Foi o que ocorreu, p. ex., quando critiquei a deportação forçada dos pugilistas cubanos, por considerar mais importante que não se desmoralizasse a instituição do asilo político do que o atendimento a pedidos do compadre Fidel Castro.
Alertei, na ocasião, que essa decisão infeliz seria utilizada contra nós quando estivesse em jogo o destino de personagem muito mais relevante para a causa da liberdade e da justiça social.
Dito e feito: um forte argumento propagandístico da direita vem sendo o de que deve ser dado o mesmo desfecho ao Caso Battisti.
Quem se posicionou erroneamente no primeiro episódio, agora leva xeque-mate dos debatedores direitistas. Eu e o Suplicy não temos tal vulnerabilidade, então ninguém nos pode dar esse calaboca.
SEQUESTROS SERIAIS
Depois, quando Chávez açulava uma guerra dos esfarrapados entre Equador e Colômbia, falou-se muito nas centenas de cidadãos mantidos em cativeiro degradante pelas Farc.
Eu e o digno companheiro Ivan Seixas, defensores da memória da luta armada brasileira, discordamos frontalmente dessa prática, destacando os critérios adotado pelas organizações daqui durante os anos de chumbo:
só se sequestravam diplomatas para trocá-los pelos companheiros que estavam nos cárceres da ditadura, sofrendo torturas e podendo ser executados a qualquer momento ("vida por vida", como diz o Ivan);embora fosse mais fácil obter recursos financeiros para nossa luta por meio de sequestros,com objetivos pecuniários, considerávamos tal prática indigna e preferíamos correr riscos bem maiores expropriando bancos.
As discussões travadas com companheiros de outras visões, nesses dois momentos, tornaram-me persona non grata para determinadas tribunas virtuais e grupos de discussões. Foi quando decidi incrementar este blogue.
No outro, Celso Lungaretti - O Rebate, eu postava apenas um ou dois artigos semanais, obtendo maior repercussão com a publicação em outros espaços do que no meu.
Mas, se tais espaços poderiam ser fechados para mim cada vez que destoasse do rebanho, eu não iria permanecer numa situação que me deixasse vulnerável a chantagens.
Criei este segundo blogue há exatamente um ano e enunciei que sua missão seria a defesa dos ideais revolucionários e dos direitos humanos, bem como o exercício do pensamento crítico; e que estas três bandeiras seriam defendidas simultaneamente e em pé de igualdade, jamais priorizando-se uma em detrimento da outra.
Trocando em miúdos, os direitos humanos não são sacrificáveis às conveniências revolucionárias. Luto por uma revolução que os contemple a todo momento, não por uma que os negue no presente, na esperança de restabelecê-los num futuro que acaba nunca chegando.
Do stalinismo e da esquerda autoritária estou fora há muito tempo e continuarei apartado pelo resto dos meus dias.
ZELAYA = CHE E BOLIVAR?
A atual onda censória foi despertada por artigos nos quais, embora defendendo taxativamente a recondução de Manuel Zelaya à presidência de Honduras, registrei o óbvio ululante: ele se comportou de forma extremamente vexatória ao aceitar ser escorraçado de seu país em pijamas.
Contrapus os exemplos de Getúlio Vargas e Salvador Allende, que preferiram a morte à desonra.
Infelizmente, há uma corrente de esquerda que abriu mão de qualquer compromisso com a versossimilhança, preferindo trombetear fábulas convenientes que só os fanáticos engolem.
Anteontem alguém chegou ao cúmulo de comparar o patético Zelaya a Simon Bolivar e Che Guevara, cometendo uma ofensa inominável à memória desses dois personagens históricos imensamente maiores, os mais emblemáticos do internacionalismo revolucionário em nosso continente.
Com suas seguidas tentativas de retomar o poder sem correr risco pessoal nenhum, disparando bravatas e refugando na hora H, insuflando seguidores a atitudes impensadas e assistindo de longe ao sacrifício de alguns deles (já se falou em 50 mortos num único dia, mas são apenas quatro até este exato momento...), Zelaya só pode ser comparado a João Goulart e demais presidentes que, com sua falta de grandeza histórica, facilitaram a escalada golpista das décadas de 1960 e 70.
Tem todo o direito de ser reconduzido ao mandato que lhe foi outorgado pelo povo e usurpado sem o cumprimento dos trâmites corretos, negando-se-lhe o direito de defesa das acusações que lhe eram feitas.
Mas, ao lutarmos por este direito, não somos obrigados a adorná-lo com roupagem de herói. Definitivamente, ele não o é. Forçações de barra propagandísticas só acarretam perda de credibilidade.
E aqui chegamos a outro ponto crucial para mim.
Vejo-me como um revolucionário que atuou durante boa parte da vida como jornalista. Em ambas esferas, a verdade é um valor fundamental, inegociável.
Antípoda do stalinismo desde o início da minha jornada, sempre adotei como minha a definição lapidar de Rosa Luxemburgo: "a verdade é revolucionária".
E, ganhando meu pão com o jornalismo, fiz tudo que podia para cumprir a verdadeira finalidade da profissão: resgatar a verdade encoberta pelos poderosos, disponibilizando-a para os leitores.
Hoje, mais do que nunca, tal postura é aconselhável, pois a indústria cultural desmoraliza-se a olhos vistos e a internet pode ocupar um espaço cada vez maior em termos informativos, interpretativos e opinativos.
Ou seja, o de informar de maneira isenta e formar opinião no bom sentido, disseminado valores que dignifiquem e não aviltem o ser humano.
Mas, só cumpriremos tal papel se informarmos/formarmos melhor do que a indústria cultural.
Se apenas colocarmos a propaganda da esquerda na web como contraponto à propaganda da direita na mídia, perderemos. A deles, formalmente, é mais atraente, já que contam com recursos materiais infinitamente superiores aos nossos.
Então, só nos resta sermos mais íntegros e verdadeiros.
É esta chance preciosa que as correntes virtuais sectárias e fanáticas, herdeiras da pior tradição stalinista, estão jogando no ralo.
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27 Jan 2010
Celso Lungaretti
Ao expor o primarismo político que grassa na esquerda virtual, escancarado nas diatribes contra a Anistia Internacional, eu não tinha ilusões quanto ao resultado.
Os companheiros com mais informações e melhor formação já nem se dão mais ao trabalho de confrontar o sectarismo dominante.
Sua atitude segue mais ou menos a racionália de um ótimo verso do poeta Capinan: "moda de viola não dá luz a cego".
Ou seja, guardam sua luz para si, dando como irremediável a cegueira dos autoritários de esquerda.
Esses novos bárbaros engendrados pelo refluxo revolucionário das últimas décadas, por sua vez, não têm a mais remota idéia de que a proposta original de Marx era levar a humanidade a um estágio superior de civilização, no qual cada homem pudesse desenvolver plenamente suas potencialidades, liberto ... (más)
Ao expor o primarismo político que grassa na esquerda virtual, escancarado nas diatribes contra a Anistia Internacional, eu não tinha ilusões quanto ao resultado.
Os companheiros com mais informações e melhor formação já nem se dão mais ao trabalho de confrontar o sectarismo dominante.
Sua atitude segue mais ou menos a racionália de um ótimo verso do poeta Capinan: "moda de viola não dá luz a cego".
Ou seja, guardam sua luz para si, dando como irremediável a cegueira dos autoritários de esquerda.
Esses novos bárbaros engendrados pelo refluxo revolucionário das últimas décadas, por sua vez, não têm a mais remota idéia de que a proposta original de Marx era levar a humanidade a um estágio superior de civilização, no qual cada homem pudesse desenvolver plenamente suas potencialidades, liberto dos grilhões da necessidade.
Marx nos apontou como objetivo último a instauração do "reino da liberdade, para além da necessidade". Quem luta atualmente por um objetivo tão formidável e, ao mesmo tempo, tão distante?
Uns se contentam em gerir o estado burguês no lugar dos burgueses, o que lhes dá condição de melhorarem um pouco a situação material dos trabalhadores e aliviarem, também um pouco, as agruras dos excluídos. Há um século seriam qualificados de reformistas.
Outros se fanatizam com projetos autoritários e personalistas de poder que, como bem lembrou o Carlos Lungarzo, têm mais afinidade com o fascismo original de Benito Mussolini do que com as políticas de esquerda.
Estes últimos, no afã de justificarem rudes transgressões dos direitos humanos, não hesitam em promover campanhas virtuais de descrédito da Anistia Internacional, da Human Rights Watch, da ONU e quem mais ainda preze os valores civilizados. Em sua marcha regressiva, implicitamente cancelam até a Grande Revolução Francesa.
É claro que, chegando aos 60 anos, não tenho prazer nenhum em ser alvo da sua irracionalidade em estado bruto.
Houve até quem colocasse em discussão se eu estaria sendo financiado pela CIA, o poder oculto atrás da AI, segundo a interpretação conspiratória da História... Ao atribuir motivos tão pequenos aos outros, esse cidadão projeta uma imagem horrorosa de si próprio.
Mas, alguém tem de empunhar a bandeira da esquerda libertária, mantendo viva a promessa de que os ideais revolucionários e a promoção dos direitos humanos voltarão a ser uma e a mesma coisa, norteando a nossa luta.
E, à falta de um companheiro com mais méritos e saber, eu cumprirei esse papel.
Simplesmente porque não consigo suportar a idéia de que um jovem tentado a fazer algo para melhorar o mundo, ao considerar a opção revolucionária, o faça a partir de modelos tão reducionistas, atrabiliários e pouco inspiradores como os de Hugo Chávez e Mahmoud Ahmadinejad.
Enquanto eu tiver forças e lucidez, continuarei repisando: isso que hoje passa por atuação de esquerda é quase nada, perto da visão grandiosa que os profetas do marxismo e do anarquismo descortinaram para a humanidade.
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27 Jan 2010
Celso Lungaretti
Escrevi esta resposta para uma companheira que postou comentário a meu último artigo, repetindo a versão bolivarianamente correta sobre a crise hondurenha. Serve para muitos outros e outras que mostram idêntico apego às ilusões de ontem, incapazes de assimilar as evoluções dos acontecimentos políticos.
Crianças vivem num mundo de fantasias, adultos são obrigados a defrontar-se com a realidade, que nem sempre é agradável.
O golpe em Honduras foi um retrocesso, mas a chance de revertê-lo passou, infelizmente.
Desde o início, quando o presidente legítimo Manuel Zelaya aceitou ser despachado num avião em pijamas, eu alertei que lhe faltava grandeza histórica e coragem pessoal para cumprir bem seu papel. Não deu outra.
Quando ele foi em carreata até a fronteira e adentrou o território hondurenh... (más)
Escrevi esta resposta para uma companheira que postou comentário a meu último artigo, repetindo a versão bolivarianamente correta sobre a crise hondurenha. Serve para muitos outros e outras que mostram idêntico apego às ilusões de ontem, incapazes de assimilar as evoluções dos acontecimentos políticos.
Crianças vivem num mundo de fantasias, adultos são obrigados a defrontar-se com a realidade, que nem sempre é agradável.
O golpe em Honduras foi um retrocesso, mas a chance de revertê-lo passou, infelizmente.
Desde o início, quando o presidente legítimo Manuel Zelaya aceitou ser despachado num avião em pijamas, eu alertei que lhe faltava grandeza histórica e coragem pessoal para cumprir bem seu papel. Não deu outra.
Quando ele foi em carreata até a fronteira e adentrou o território hondurenho, jamais deveria ter recuado. Não é assim que os grandes líderes agem, refugando e retrocedendo com o rabo entre as pernas.
Se seguisse adiante, obrigaria o inimigo a prendê-lo e levá-lo a julgamento. Este seria, provavelmente, o fato político que obrigaria a ONU, a OEA e as potências regionais a saírem de sua letargia omissa.
Depois, quando sua presença na embaixada brasileira não provocou o levante popular com que ele sonhava, Zelaya teria de ousar qualquer coisa, não ficar hibernando lá até a posse do Porfirio Lobo.
Numa luta dessas, quem deixa a iniciativa ao inimigo, perde. Zelaya perdeu. Agora, só lhe resta juntar os cacos e preparar-se para as futuras batalhas.
Quem tem os pés no chão sabe que Lobo logo será aceito pelos organismos internacionais e pelas demais nações, o que dissipará de vez a crise política.
O próprio Zelaya, ao aceitar o salvo-conduto que Lobo lhe ofereceu e ao se dispor a "colaborar para a reconciliação nacional", colocou um ponto final na resistência contra o golpe.
Ele sim não deveria ter negociado com Lobo. Mas negociou, fechando o acordo que lhe propiciou o salvo-conduto. Então, por esse lado, nada mais há a se fazer.
Mas, houve mortos, feridos, torturados, intimidados, ameaçados e estupradas. E, estando Lobo empenhado em botar uma pedra em cima de tudo isso com a anistia geral, faz muito bem a Anistia Internacional ao manifestar posição contrária.
Pois, se tudo acabar em pizza, os próximos golpistas também matarão, ferirão, torturarão, intimidarão, ameaçarão e estuprarão, na certeza de que vão safar-se impunes.
Este é o xis da questão. Hoje, Zelaya está ajudando a consolidar o mandato de Lobo, enquanto quem tenta colocar uma pedra no sapato do novo presidente é a Anistia Internacional.
No fundo, a situação é bem parecida com a da nossa Lei de Anistia. Para os golpistas e para o beneficiário (Lobo) do serviço sujo que os golpistas executaram, convém passar uma borracha no passado.
Mas, em nome da justiça e em reconhecimento pelo sacrifício daqueles que lutaram contra o golpe, deve-se evitar tal desfecho. É o que a Anistia Internacional está tentando fazer.
Fico pasmo com a miopia política dos que não percebem o óbvio ululante: se vier a anistia nos moldes propostos pelo Lobo na cerimônia de posse, o golpe será 100% vitorioso.
O Carlos Lungarzo e eu, ao atuarmos politicamente como os adultos que somos, podemos até chocar as crianças que confundem seus desejos com a realidade.
Mas, estamos comprometidos apenas com nossas causas e nosso caráter. Não almejamos a popularidade fácil.
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26 Jan 2010
Celso Lungaretti
TROCA DE MENSAGENS
SUSCITADA PELO ARTIGO
ANISTIA INTERNACIONAL
EXORTA LOBO A PUNIR
BESTAS-FERAS DE
MICHELETTI
Prezados amigos
A ingenuidade mostrada pelo Lungaretti no artigo abaixo chega a ser comovente...
Acreditar que os GOLPISTAS hondurenhos, civis e militares, sejam julgados pelos mesmos tribunais que afastou Zelaya da chefia do poder executivo sem qualquer acusação VERDADEIRA é ser muito, mas muito INGÊNUO.
Acreditar numa organização (Anistia Internacional) que defende a legalização das eleições FRAUDULENTAS de Honduras e que espera que o BENEFICIÁRIO dessa fraude julgue alguém, vai às raias do RIDÍCULO. Aliás, em comentário anterior mencionei qua a AI é patrocinada pelo que há de mais CANALHA no mundo ocidental: a NSA (National Security Agency, USA) e a AIPAC (lobby sionista nos EUA) além... (más)
TROCA DE MENSAGENS
SUSCITADA PELO ARTIGO
ANISTIA INTERNACIONAL
EXORTA LOBO A PUNIR
BESTAS-FERAS DE
MICHELETTI
Prezados amigos
A ingenuidade mostrada pelo Lungaretti no artigo abaixo chega a ser comovente...
Acreditar que os GOLPISTAS hondurenhos, civis e militares, sejam julgados pelos mesmos tribunais que afastou Zelaya da chefia do poder executivo sem qualquer acusação VERDADEIRA é ser muito, mas muito INGÊNUO.
Acreditar numa organização (Anistia Internacional) que defende a legalização das eleições FRAUDULENTAS de Honduras e que espera que o BENEFICIÁRIO dessa fraude julgue alguém, vai às raias do RIDÍCULO. Aliás, em comentário anterior mencionei qua a AI é patrocinada pelo que há de mais CANALHA no mundo ocidental: a NSA (National Security Agency, USA) e a AIPAC (lobby sionista nos EUA) além de outras organizações de interesses privados do mundo ocidental.
A simples postura de PEDIR algo a um governo(?) ilegítimo já mostra reconhecimento internacional de um GOLPE de estado e reconhecer como poder legítimo um OPORTUNISTA como Porfírio Lobo.
As assertivas acima tornam o artigo abaixo simplesmente RISÍVEL e, pior, digno de COMPAIXÃO por uma pessoa que sempre, ou quase sempre, se colocou ao lado dos desvalidos e despossuídos nesta nossa luta pela emancipação da Pátria Grande.
Abraços a todos e nosso pesar pelo Lungaretti ter caído na esparrela da AI.
Castor Filho
* * *
Castor,
espero que desta vez você conceda espaço para o contraditório, disponibilizando a seus leitores aquele "outro lado" que a grande imprensa aboliu.
Parece-me que um de nossos objetivos na internet é exatamente o de resgatar as boas práticas jornalísticas, ocupando o espaço que a mídia patronal deixou vago. Mas, não será com simplismo e sectarismo que vamos lograr tal objetivo.
A Anistia Internacional é exatamente o que eu disse que é, a principal ONG que atua mundialmente na defesa dos direitos humanos.
Quanto a patrocínios, vêm de quem se dispõe a oferecê-los; o importante é se eles implicam ou não contrapartidas incompatíveis com o escopo do patrocinado.
Decerto, há instituições para as quais ter seu nome associado à respeitadíssima AI significa um reforço tão significativo de imagem, que este é o único retorno que colhem do patrocínio.
Você alega que um lobby sionista nos EUA patrocina a AI. E daí? Eu não darei a mínima, enquanto a Anistia estiver produzindo relatórios e adotando posicionamentos tão críticos às práticas de Israel como o que recentemente noticiei (Anistia Internacional acusa: Israel monopoliza água potável em Gaza) e como estes outros:
Israel/consciências aprisionadas: jovens estão presos por se negarem a prestar o serviço militar
Israel/territórios palestinos ocupados: acesso imediato dos trabalhadores humanitários e observadores essenciais
Israel/territórios palestinos Ocupados: é preciso investigar imediatamente o bombardeio israelense a um prédio da ONU em Gaza
Israel/territórios palestinos ocupados: nova investigação traz esperanças às vítimas de crimes de guerra
Israel/territórios palestinos ocupados: é preciso proteger a população civil de Gaza e de Israel
É necessária uma voz européia mais firme para desbloquear a crise humanitária do Oriente Médio
Israel/territórios palestinos ocupados: Gaza – a investigação da ONU deve ser ampliada
Israel/territórios palestinos ocupados: fim dos ataques ilegais e atendimento das necessidades emergenciais de Gaza
O Conselho de Direitos Humanos da ONU deve ajudar a população civil encurralada no conflito de Gaza
Ou seja, relacionei dez diferentes textos emitidos pela AI, com críticas consistentes e incisivas às atrocidades/iniquidades israelenses.
Nada mais se pode esperar de uma organização humanitária, além de enviar seus observadores para o palco dos acontecimentos e depois pressionar os transgressores com seus relatos, argumentos e autoridade moral. E isto a Anistia faz, exemplarmente.
Você também dá a entender que a AI tenha o rabo preso com uma seguradora estadunidense. Como se explicam, então, os relatórios/posicionamentos abaixo? É só abrir e conferir:
EUA: mensagens contraditórias do presidente Barack Obama sobre as medidas antiterroristas em seus primeiros 100 dias de governo
EUA: a revisão das condições de Guantánamo não aborda importantes questões de direitos humanos
Israel/territórios palestinos ocupados: nova remessa de armas para Israel - o presidente Barack Obama deve deter estas exportações
EUA: os primeiros 100 dias do Presidente Obama em matéria de medidas contra o terror
EUA: os vídeos da CIA demonstram a necessidade de investigar a fundo a “guerra contra o terror”
Ou seja, em todos os episódios envolvendo Israel e EUA que estariam no foco de uma organização de defesa dos direitos humanos, a AI não se omitiu. Fez sempre o que se impunha.
Querer mais do que isto é que constitui ingenuidade. Temos de tirar de cada instituição a contribuição que ela pode dar à causa da liberdade e da justiça social. A da AI é valiosíssima, como nós mesmos pudemos constatar muito bem quando estávamos sendo massacrados pela ditadura militar.
De resto, devem ser consideradas as sábias ponderações do Carlos Lungarzo, militante da Anistia Internacional há três décadas:
"Durante a ditadura de Micheletti houve em Honduras numerosos ataques contra manifestantes pacíficos, estupros, aplicações de tortura, brutalidade policial e alguns homocídios, que não podem ser comparados com a violência defensiva (muito pouca, afinal) dos partidários de Zelaya, que só pensavam em se defender.
"O governo de Lobo, mesmo que seja desagradável para uma visão social humanitária da sociedade, é um fato real, e exigir-lhe que preste conta pelos crimes do governo que lhe facilitou o acesso ao poder é uma atitude de sensatez que visa a punição dos crimes de estado, a não repetição dos mesmos, e a reparação das vítimas. Certamente, muitas pessoas (entre as quais me incluo) preferiríamos pedir a Evo Morales ou Hugo Chaves que façam justiça em Honduras, mas isso é impossível.
"Então, acusar aos que exigem que Lobo não seja complaciente com os criminosos de estado, não significa estar reconhecendo sua legitimidade eleitoral, menos ainda desprezando a resistência: implica admitir que ele tem o poder oficial, e seu governo é o único que pode, neste momento, fazer essas apurações".
Por último, quero ressaltar que não caí em esparrela nenhuma nem vejo a causa dos desvalidos e dos depossuídos como incompatível com a defesa dos direitos humanos. Muito pelo contrário.
Já publiquei vários textos importantes do Conselho de Direitos Humanos da ONU, da Human Rights Watch e da Anistia Internacional; e continuarei a fazê-lo, sempre que estiverem certos em seus posicionamentos (quase sempre estão!).
Quando meu blogue Náufrago da Utopia completou um ano, em agosto último, já disse tudo que tinha para dizer sobre esse tipo de críticas. Só me resta repetir:
"...enunciei que sua missão seria a defesa dos ideais revolucionários e dos direitos humanos, bem como o exercício do pensamento crítico; e que estas três bandeiras seriam defendidas simultaneamente e em pé de igualdade, jamais priorizando-se uma em detrimento da outra.
"Trocando em miúdos, os direitos humanos não são sacrificáveis às conveniências revolucionárias. Luto por uma revolução que os contemple a todo momento, não por uma que os negue no presente, na esperança de restabelecê-los num futuro que acaba nunca chegando.
"Do stalinismo e da esquerda autoritária estou fora há muito tempo e continuarei apartado pelo resto dos meus dias."
CELSO LUNGARETTI
* * *
Prezado Lungaretti
Em primeiro lugar não existe isso de "outro lado" entre pessoas que lutam por um propósito comum. Outra coisa, não pretendo resgatar quisquer "boas práticas jornalísticas", pois isso NUNCA existiu, não existe e jamais existirá.
O Objetivo Maior da rede castorphoto é DESTRUIR o jornalismo, os jornais e assemelhados, incluindo os JORNALISTAS tal como os conhecemos hoje. Esta é a razão do porquê da rede castorphoto (assim mesmo com letra minúscula) ser uma rede de informação e NÃO uma rede de discussão como tantas outras. E que cresce diariamente...
Nosso trabalho é simples:
- Juntamos montes de endereços (e-mails)
- Dividimos por áreas de interesse
- Dividimos novamente entre 70 colaboradores diretos e 283 colaboradores indiretos (cada um desses colaboradores tem sua própria lista pessoal de distribuição, a qual varia de 150 a 220 e-mails por colaborador).
Temos uma estimativa criada através de informações e práticas de controle que hoje, tão logo transmitimos um e-mail por um dos nossos 25 endereços, incluindo aí minha lista pessoal da qual você faz parte, cerca de 40.000 pessoas terão disponibilizados em suas CPs este e-mail em aproximadamente 60 minutos, em média.
- Tomamos o MÁXIMO cuidado em transmitir apenas mensagens que INTERESSAM aos objetivos POLÍTICOS da rede castorphoto. Quer dizer: NÓS TEMOS LADO e não compartilhamos os ideais pseudo-democráticos aos quais você eventualmente idealizou e/ou pretende ver realizado.
Penso que agora você terá entendido os OBJETIVOS e COMPROMISSOS da rede castorphoto.
Outro assunto: Anistia Internacional
Esta é uma organização semelhante aos Repórteres Sem Fronteiras ou Médicos Sem Fronteiras e a quase totalidade das ONGs de DHs. Isto é, uma organização PAGA, DIRIGIDA E COORDENADA por INTERESSES CONTRÁRIOS àqueles propostos pela rede castorphoto.
A AI, sem dúvida a maior ONG de DHs do mundo, pode produzir quantos relatórios quiser, contratar quantos cientistas puder, alinhar em seus quadros quantos HOMENS DE BOA VONTADE (como você e o Lungarzo, p. ex.) conseguir, mas ela terá sempre um INTERESSE MAIOR e inconfessável: a manutenção do "status quo" no mundo, seja na POLÍTICA internacional (com suas investidas pontuais e segmentadas nas políticas nacionais), seja na ECONOMIA mundial, seja na aplicação do TERRORISMO DE ESTADO. Tudo conforme os interesses de seus PATROCINADORES.
Um parêntese: em 1964 logo após o golpe de 1o. de abril, mês de maio, apareceu no Mackenzie (SP) uma comitiva da AI chefiada por um hindu que falava inglês de Oxford, para DEFENDER e REFERENDAR o golpe de estado aqui na terrinha. E mais, percorreu praticamente TODAS as universidades da cidade (USP, PUC, Sedes Sapientie e outras) num trabalho que pode ser classificado de catequese. Tudo patrocinado pela EMBAIXADA DOS EUA.
Você enviou uma quantidade de RELATÓRIOS, provavelmente caríssimos e realizados por homens mulheres seríssimos, mas que NINGUÉM, exceto uma minoria menos que mínima e que pouquíssimo ou nenhum IMPACTO causará na HUMANIDADE.
A razão é simples: A AI perderia todo o seu patrocínio se comprasse, p. ex., várias PRIMEIRAS PÁGINAS e TEMPO EM JORNAIS TELEVISIVOS pelo mundo para DIVULGAR esses mesmo maravilhosos relatórios que você me enviou. Sabe o porquê? Porque massificar esses relatórios na MÍDIA NÃO INTERESSA AOS DONOS DO MUNDO. Interessa apenas aos INGÊNUOS que acreditam nos belíssimos relatórios os quais, como diria minha avó, serão lidos por "meia dúzia de três ou quatro".
Fico imaginando um desses relatórios nas primeiras páginas do NYTimes, do WPost, do USA Today, do The Times da FSP, do O Globo. Ou como chamada de "capa" do CNN News, CBS News, do JN da Globo etc. etc.
Quer dizer: eles gastam uma graninha para pagar os competentes e sérios fazedores de relatórios maravilhosos e ECONOMIZAM na DIVULGAÇÃO desses mesmos relatórios. Seria e É muita ingenuidade ACREDITAR nessas ONGs de DHs...
Pode ser, é até mais provável, que existam alguns "colaboradores" interessados tão somente na GRANA angariada por essas ONGs do que nos DHs propriamente ditos. Afinal, é apenas uma maneira de ganhar a vida...
P'ra terminar: Honduras é apenas um "prato" entre muitos para o apetite dessas ONGs de araque. Produzir o ÓBVIO é fácil. Nós, da rede castorphoto, distribuímos DIARIAMENTE para INÚMEROS países da AL, Brasil inclusive, os "sites" de Honduras com relatos do povo partícipe da luta contra a Golpe de lá. P'ra que AI ou outra ONG qualquer fazer um "relatório" sobre o que lá ocorre se temos o próprio testemunho do povo local? É o mesmo que acreditar que existe um governo Lobo em Honduras... Pedir algo a um governo que não existe é referendar sua existência. Cadê a seriedade disso?
Seria outro RELATÓRIO GOLDSTONE? Aquele que serviu para Israel, os EUA e toda a direitona "morrerem de rir" do sofrimento do povo palestino...
Caro Lungaretti, sabemos o quanto você penou durante a vigência do golpe militar em nosso país, mas isso não lhe dá "carta de alforria" para servir de "bucha de canhão" para a "maior ONG de DHs no Mundo" totalmente vinculada e obediente aos interesses dos EUA.
E nem mencionei o FATO da expulsão da AI da Venezuela por MENTIR vergonhosamente no "relatório" sobre DHs naquele país...
Abraço
Castor
* * *
Castor,
desde que os movimentos revolucionários surgiram, sempre houve vários lados. A diferença é que com os companheiros de outras tendências discutimos, enquanto aos inimigos combatemos.
P. ex., no nosso caso são evidentes as divergências estratégicas (entre um libertário e um autoritário) e táticas (entre quem pretende desenvolver um jornalismo realmente informativo/formativo/opinativo, na suposição de que a verdade seja sempre revolucionária, e quem pretende apenas fazer panfletarismo de esquerda).
Sua visão sobre direitos humanos é exatamente a dos que os sacrificam em nome de valores que acreditam ser maiores. Como Stalin.
E sua miopia em relação ao Relatório Goldstone e à Anistia Internacional é simplesmente estarrecedora. Com tais preconceitos, a esquerda jamais voltará a disputar o poder nas nações centrais -- aquelas que, por terem as forças produtivas mais desenvolvidas, acabam traçando o caminho que as demais seguirão, segundo Marx.
Ou seja, seus conceitos nos condenam a permanecermos como a vanguarda dos países atrasados. Os meus tentam tornar a esquerda de novo influente nas nações que determinam o futuro da humanidade.
Já o fomos. Poderemos sê-lo novamente. Mas, não com arbitrariedades e truculência, pois os cidadãos civilizados hoje são ciosos de sua liberdade. Não a trocam por caudilhos e homens providenciais.
E, se a sua rede não admite a discussão, viola um valor sagrado para a esquerda resultante da negação do stalinismo, à qual sempre pertenci.
Então, é hora de separarmos nossos trabalhos.
E, como a transparência é, para mim, um valor fundamental, publicarei em meus espaços os quatro textos desta polêmica que você sonegou do seu público. Eu não a sonegarei do meu.
CELSO LUNGARETTI
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26 Jan 2010
Celso Lungaretti
Graves violações de direitos humanos foram cometidas pelo governo golpista de Roberto Micheletti, com os agentes de segurança hondurenhos fazendo "uso excessivo da força" ao reprimirem protestos contra a deposição do presidente constitucional Manuel Zelaya.
A conclusão é da Anistia Internacional, a mais respeitada ONG dedicada à defesa dos direitos humanos em todo o planeta, cujos representantes, depois de ouvirem "dezenas de testemunhas", saíram de Honduras convencidos de que ocorreram execuções ilegais, torturas, estupros e prisões arbitrárias no período subsequente ao 28 de junho em que Zelaya foi arbitrariamente expulso do país:
“Centenas de pessoas que se opunham ao golpe de Estado foram agredidas e detidas pelas forças de segurança durante os protestos nos meses seguintes. Mais de... (más)
Graves violações de direitos humanos foram cometidas pelo governo golpista de Roberto Micheletti, com os agentes de segurança hondurenhos fazendo "uso excessivo da força" ao reprimirem protestos contra a deposição do presidente constitucional Manuel Zelaya.
A conclusão é da Anistia Internacional, a mais respeitada ONG dedicada à defesa dos direitos humanos em todo o planeta, cujos representantes, depois de ouvirem "dezenas de testemunhas", saíram de Honduras convencidos de que ocorreram execuções ilegais, torturas, estupros e prisões arbitrárias no período subsequente ao 28 de junho em que Zelaya foi arbitrariamente expulso do país:
“Centenas de pessoas que se opunham ao golpe de Estado foram agredidas e detidas pelas forças de segurança durante os protestos nos meses seguintes. Mais de dez teriam sido mortas durante os conflitos, de acordo com relatos”.
No relatório que acaba de divulgar, a AI garante, ainda, que ativistas de direitos humanos, líderes oposicionistas e juízes sofreram ameaças e intimidações; e que meninas e mulheres foram abusadas sexualmente.
Kerrie Howard, vice-diretora da AI para as Américas, exige providências do presidente eleito de Honduras, Porfírio Lobo, que tomará posse nesta 4ª feira (27):
"O presidente Lobo deve garantir um novo começo para os Direitos Humanos em Honduras ao garantir que os abusos cometidos desde o golpe de Estado não sejam esquecidos nem fiquem impunes".
Lobo, entretanto, já anunciou que pretende fazer aprovar uma anistia ampla, beneficiando tanto Zelaya e seus partidários quanto os golpistas de Micheletti.
Algo assim como a Lei de Anistia brasileira, que igualou as atrocidades cometidas pela repressão política aos atos praticados por civis que resistiam ao despotismo.
Há, claro, diferenças entre ambos os golpes:
os militares brasileiros viraram a mesa sem terem o aval de nenhum Poder, enquanto em Honduras o Legislativo e o Judiciário respaldaram o afastamento de Zelaya;mas, Manuel Zelaya foi privado do seu direito constitucional de defender o mandato que conquistou nas urnas, pois o expulsaram ilegalmente de Honduras, ao invés de julgarem-no pela tentativa promover um plebiscito talvez ilegal;então, o governo de Micheletti acabou sendo tão ilegítimo quanto o dos generais ditadores do Brasil, e os atos de que a AI o acusa devem ser chamados pelo que foram, terrorismo de estado para preservar uma tirania;e, como o afastamento de Zelaya não cumpriu os rituais democráticos, ele e seus partidários não são, até agora, culpados de delito nenhum, apenas acusados;então, não tem o mínimo cabimento colocar no mesmo plano tais acusações e os assassinatos, torturas, estupros e intimidações perpetrados pelo governo ilegal de Micheletti.
Aqui também cabe um paralelo, com a tese ridícula e juridicamente indefensável difundida por Ives Gandra Martins e pelas viúvas da ditadura brasileira: a de que supostas intenções totalitárias das forças de esquerda justificariam a derrubada de um presidente legítimo e a imposição do totalitarismo no Brasil por parte dos golpistas de 1964.
Concluindo: está certíssima a AI quando exorta Lobo a levar aos tribunais as bestas-feras de Honduras.
E Zelaya jamais deve aceitar uma anistia que o coloque no mesmo plano dessas bestas-feras.
Se for este o preço para viver livremente e retomar a carreira política em seu país, a única opção digna para ele é mesmo o exílio.
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25 Jan 2010
Celso Lungaretti

TESE
"O Itaú Unibanco vive um momento único, com grandes oportunidades de crescimento em seus negócios, fruto de uma trajetória de sucesso, que todos os colaboradores, com muita responsabilidade e esforço, ajudaram a construir, ao longo dos últimos anos.
"Grandiosos desafios estão pela frente, mas, com competência, dedicação, respeito aos valores éticos, qualidade nas decisões, eficiência e agilidade, o crescimento poderá ir muito além da soma das forças de Itaú e Unibanco, refletindo cada vez mais no espírito de uma equipe altamente integrada e de alta performance (Relatório Anual de Sustentabilidade 2008 do Itaú Unibanco Banco Múltiplo S.A.).
ANTÍTESE
"Uma pessoa morreu na manhã deste domingo após o desabamento de uma obra em uma agência bancária no centro de São Paulo.
"Segundo informaçõe... (más)

TESE
"O Itaú Unibanco vive um momento único, com grandes oportunidades de crescimento em seus negócios, fruto de uma trajetória de sucesso, que todos os colaboradores, com muita responsabilidade e esforço, ajudaram a construir, ao longo dos últimos anos.
"Grandiosos desafios estão pela frente, mas, com competência, dedicação, respeito aos valores éticos, qualidade nas decisões, eficiência e agilidade, o crescimento poderá ir muito além da soma das forças de Itaú e Unibanco, refletindo cada vez mais no espírito de uma equipe altamente integrada e de alta performance (Relatório Anual de Sustentabilidade 2008 do Itaú Unibanco Banco Múltiplo S.A.).
ANTÍTESE
"Uma pessoa morreu na manhã deste domingo após o desabamento de uma obra em uma agência bancária no centro de São Paulo.
"Segundo informações do Corpo de Bombeiros, uma laje caiu sobre um operário que trabalhava na reforma da agência do Unibanco localizada na avenida Duque de Caxias, 574, em Santa Ifigênia.
"Por volta das 10h, os bombeiros faziam buscas nos escombros, e procuram por possíveis outras vítimas." (Folha On Line, 24/01/2010)
SÍNTESE
"Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente:
não aceiteis o que é de hábito como coisa natural,
pois em tempo de desordem sangrenta,
de confusão organizada,
de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural,
nada deve parecer impossível de mudar."
(Bertold Brecht)
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24 Jan 2010
Celso Lungaretti
"São oito milhões de habitantes
De todo canto em ação
Que se agridem cortesmente
Morrendo a todo vapor
E amando com todo ódio
Se odeiam com todo amor
São oito milhões de habitantes
Aglomerada solidão
Por mil chaminés e carros
Caseados à prestação
Porém com todo defeito
Te carrego no meu peito
São, São Paulo
Meu amor
São, São Paulo
Quanta dor"
(Tom Zé)
A primeira lembrança que tenho de São Paulo é o quarto centenário, em 1954.
Eu estava com três anos e meus pais me levaram na festa que teve lugar no Viaduto do Chá, à noite.
Uma multidão como eu nunca vira e as luzes poderosas, refletidas nos aviõezinhos de papel laminado que jorravam do alto dos edifícios, ficaram gravadas para sempre na minha memória.
E eu soube que vivia numa cidade chamada São Paulo. Que essa cidade fazia 400 anos. E que era muito mais i... (más)
"São oito milhões de habitantes
De todo canto em ação
Que se agridem cortesmente
Morrendo a todo vapor
E amando com todo ódio
Se odeiam com todo amor
São oito milhões de habitantes
Aglomerada solidão
Por mil chaminés e carros
Caseados à prestação
Porém com todo defeito
Te carrego no meu peito
São, São Paulo
Meu amor
São, São Paulo
Quanta dor"
(Tom Zé)
A primeira lembrança que tenho de São Paulo é o quarto centenário, em 1954.
Eu estava com três anos e meus pais me levaram na festa que teve lugar no Viaduto do Chá, à noite.
Uma multidão como eu nunca vira e as luzes poderosas, refletidas nos aviõezinhos de papel laminado que jorravam do alto dos edifícios, ficaram gravadas para sempre na minha memória.
E eu soube que vivia numa cidade chamada São Paulo. Que essa cidade fazia 400 anos. E que era muito mais imponente naquele local das festividades do que onde eu residia.
Fui captando melhor esse contraste à medida que crescia.
Morava na Mooca, bairro operário que gravitava em torno de um cotonifício gigantesco, o Crespi, tomando um quarteirão inteiro.
Além disso, havia muitas outras fabriquetas. E na Mooca moravam, principalmente, os operários dessas indústrias e os que nelas haviam trabalhado. Gente simples e austera.
Ao centro eu ia com minha mãe uma vez por mês, pois, naquele tempo, pagava-se o aluguel no escritório do locador.
Bom para mim, que via cenários diferentes e era premiado com uma guloseima do Café Moka, na Praça da Sé.
Sentia-me achatado pelos arranha-céus e estranhava todos aqueles homens de terno passando apressados. Parecia estar num mundo diferente, de grandes lojas, vitrines enfeitadas e movimento incessante.
Aquilo me parecia o progresso, a modernidade, desvalorizando, aos meus olhos de menino, o bairro pobre do meu dia a dia.
O chamado centro histórico de São Paulo, entre as praças da Sé e da República, concentrava comércio, entretenimento e bancos, principalmente.
E a proximidade do Palácio do Governo, nos Campos Elísios, ajudava a manter essa região como a principal da cidade.
Mas, o Palácio se foi para o Morumbi, em 1965.
Os ricaços, aos poucos, mudaram dos arredores. E, a partir da inauguração do Minhocão, em 1971, os Campos Elísios e seu entorno entraram em decadência acelerada.
O comércio moveleiro de alto padrão também migrou da rua das Palmeiras, que ficava ao lado.
Como na agonia do Império Romano, os bárbaros foram tomando os territórios ao redor do centro histórico, cujo brilho só perdurou por um tempinho mais.
A partir da inauguração do Metrô, em 1974, o distrito da Sé se definiu como zona de passagem, atravessada por centenas de milhares de pessoas.
Seu comércio chique debandou e as lojas se adequaram ao perfil de uma clientela mais pobre e menos exigente.
Nos meus quase 60 anos de vida, presenciei a fase derradeira do esplendor do centro histórico e acompanhei cada momento de sua degradação.
Mais ainda do que ao Caetano, alguma coisa acontecia no meu coração ao cruzar a Ipiranga com a avenida São João.
É difícil transmitir, aos que nela já nasceram, a diferença entre a vida antes e depois da sociedade de consumo. Algo assim como interagirmos antes com pessoas, mesmo que não as melhores possíveis, e depois com meros robôs (o homo economicus em sua plenitude...).
Como disse o Tom Zé, São Paulo tinha todo defeito, era uma metrópole em que habitantes vindos de todo canto se agrediam cortesmente, correndo e morrendo a todo vapor, na perseguição frenética da grana.
Mas, ao falar em “aglomerada solidão”, ele exagerou. Pois, a indiferença, a impessoalidade, a falta de calor humano iriam intensificar-se mesmo é de 1968 em diante, ou seja, depois que ele compôs sua música célebre sobre a cidade.
E a região da Avenida Paulista, atual cartão postal de São Paulo, não substitui o centro histórico de outrora num aspecto fundamental: expressa a sociedade motorizada, em que pedestres ficam espremidos e os automóveis reinam imponentes.
Os bancos e os escritórios de grandes empresas agora estão na Paulista, tramando e implementando a desumanização, como sempre.
Quanto ao comércio e ao entretenimento, foram confinados nos shopping centers.
A sensação que me dá é de ter sido expulso das ruas e das praças, que não pertencem mais ao povo, assim como o céu deixou de ser do condor.
Ao mesmo tempo, em tardia autocrítica, percebo que a existência mais aprazível para seres humanos nunca esteve no Centrão endinheirado, mas sim na Mooca humilde da minha infância.
E, hoje, nos bairros distantes onde os vizinhos ainda se falam e conhecem, onde as crianças ainda brincam nas ruas e onde as pessoas ainda fazem parte de uma comunidade, não de um condomínio.
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23 Jan 2010
Celso Lungaretti
Entrevista que fiz com o Adoniran Barbosa para o nº 2 da revista "Playmen" (setembro/1980), quando comemorava seu 70º aniversário e era homenageado com o lançamento do disco ao lado, em que artistas famosos gravaram seus grandes sucessos. Morreria dois anos depois.
Conheci o Adoniran num escritoriozinho que a gravadora Odeon mantinha na rua Bento Freitas. Eram só dois funcionários, que guardavam os malotes, distribuíam o material vindo da matriz e recolhiam outros tantos volumes para despachar de volta.
Eu costumava passar lá e apanhar os lançamentos do mês, para fazer minhas críticas. E sempre encontrava o Adoniran, paradão, ouvindo o papo dos outros, cochilando.
Às vezes o pessoal saía e deixava o Adoniran tomando conta. E ele pacientemente esperava que alguém voltasse.
Esse escritório f... (más)
Entrevista que fiz com o Adoniran Barbosa para o nº 2 da revista "Playmen" (setembro/1980), quando comemorava seu 70º aniversário e era homenageado com o lançamento do disco ao lado, em que artistas famosos gravaram seus grandes sucessos. Morreria dois anos depois.
Conheci o Adoniran num escritoriozinho que a gravadora Odeon mantinha na rua Bento Freitas. Eram só dois funcionários, que guardavam os malotes, distribuíam o material vindo da matriz e recolhiam outros tantos volumes para despachar de volta.
Eu costumava passar lá e apanhar os lançamentos do mês, para fazer minhas críticas. E sempre encontrava o Adoniran, paradão, ouvindo o papo dos outros, cochilando.
Às vezes o pessoal saía e deixava o Adoniran tomando conta. E ele pacientemente esperava que alguém voltasse.
Esse escritório fechou, quando a Odeon abriu uma representação à altura em São Paulo. Mas Adoniran continuou tendo seu itinerário particular, que cumpre com a pontualidade de um empregado-modelo.
Passar a manhã na rádio Eldorado, até a hora do almoço.
Sair para almoçar com qualquer conhecido de lá, talvez o amigo Nogueira, um divulgador.
Ficar meio triste quando todo mundo está com algum compromisso e ele tem de ir comer sozinho. Mas disfarçar, recusar se aparece o convite de um estranho.
[Meu caso. Ele balançou a cabeça e disse: "Eu vou sair por aí, na direção do Arouche. Não sei nem se vou almoçar ou comer um sanduíche. Fica para outra vez".]
Comparecer todas as tardes no La Barca, um boteco onde espera encontrar outro amigo, o Talismã, líder do conjunto que atualmente o acompanha.
E assim por diante.
[Lembro-me do meu sogro, notívago e bom papo, que sempre sonhava com o que iria fazer quando se aposentasse: pescar, passear, comprar uma granja e plantar sua horta, assistir aos filmes de TV que passam à meia-noite. Afinal chegou o dia. E, na manhã seguinte, lá estava ele de novo na repartição, no horário de sempre, para bater uma caixa com os amigos e irem juntos para o bar. Nada mudou. Até hoje.]
"VOCÊ ACHA QUE EU ESTOU COM UM PÉ NA COVA?"
As homenagens programadas para a comemoração do seu 70º aniversáio desconcertaram Adoniran, que chegou até a dizer que não as merecia, "afinal não sou nenhum João Paulo 2º, nenhum Chaplin ou presidente da república".
E, de qualquer forma, não serviram para compensar anos e anos de esquecimento.
Homem às antigas, Adoniran ainda não se habituou a virar notícia apenas em tempo de efeméride.
Cansou-se de dar entrevistas: "O que mais posso dizer da minha vida? Já disse tudo, para todo mundo".
E não conseguiu conter o desabafo de quem teve de lutar demais para obter um reconhecimento tardio e meio superficial. "Por que não me procuraram há 20 anos atrás?"
Mas, em geral esforça-se para corresponder ao clima festivo.
Pergunto-lhe se ainda espera alguma coisa da vida. "Por que, você acha que eu estou com um pé na cova?"
Explico melhor: falta-lhe realizar algum sonho, uma grande meta?
Aí ele dá um sorriso e mostra que continua atento ao linguajar das ruas. Sabe até a gíria da meninada: "O que vier, eu traço. Tudo bem!"
"UM BOÊMIO POBRE. FILANTE. BICÃO."
Efeméride é a palavra-chave. Era preciso comemorar condignamente os 70 anos de Adoniran, nem que para isso se-lhe romantizasse o passado, transformando-o numa imagem ao gosto do público de agora.
E, já que o folclore paulistano nem de longe se compara ao da Lapa carioca ou de Vila Isabel, que tal promover Adoniran a algo assim como o estereótipo do boêmio do Bexiga?
Com um pouco de boa vontade e puxando por sua veia saudosista, conseguiram extrair de Adoniran declarações na medida para colocá-lo dentro do figurino pretendido:
"Fui na Bela Vista procurar o Bexiga e não achei. Antes o pessoal sentava na calçada, agora as coisas por lá andam muito diferentes, cheias de viaduto.
"O Brás eu também não encontrei, as casas baixas foram embora. A Rangel Pestana também não está mais lá. O Largo da Concórdia ficou cheio de banquinhas de camelô. A Celso Garcia, onde havia o melhor carnaval do Brás, também já não existe.
"No Belém não achei o Largo São José, com seus casarões e suas árvores.
"Nem a Lapa, onde não há nem sinal da calma de bairro de antes.
"O Largo da Sé, acho que venderam." (JT, 09/08/80)
A matéria fala também de um bar boêmio da av. São João e de um bonde boêmio que rodava a noite inteira.
Adoniran, você foi mesmo esse boêmio que estão pintando?
"Fui mas é um boêmio pobre, que ia de bar em bar, de boteco em boteco, sem dinheiro, filando bebida dos amigos. Um boêmio bicão."
"SÓ DE SAMBA NINGUÉM VIVIA"
Adoniran era capaz de registrar impressões acerca da cidade com alma de artista. É o grande cronista de São Paulo. Mas, suas andanças não foram despreocupadas como as dos sambistas cariocas e sua história está longe de ser a de um boêmio.
Mesmo porque seu amor pela cidade não era correspondido: São Paulo rejeitava seu samba, só queria saber de serenatas, valsas, modinhas, boleros e tangos.
Nesta cidade de imigrantes, ciosa de suas raízes culturais européias, não havia espaço para os ritmos, costumes e tradições realmente brasileiras. Adoniran testemunha:
"Só de samba ninguém vivia, em São Paulo. Era pouquíssimo executado. Os sambistas daqui, como a Isaura Garcia e o Vassourinha, eram obrigados a irem lá no Rio gravar composições de autores cariocas".
Daí seu orgulho em ter sido o grande divulgador do samba paulista.
"Não o iniciador, porque já existiam o Raul Torres, o Nestor Amaral, o Cacique. Mas o Rio só veio a saber que se fazia samba em São Paulo quando os meus entraram lá. E aí a coisa se estendeu para todo o Brasil."
Até que chegasse esse reconhecimento (e mesmo depois dele), a vida de Adoniran foi tipicamente paulistana, mas num aspecto pouco romântico, que as matérias louvaminhas esqueceram de registrar: o trabalho.
Carreira sacrificada, árdua, difícil. E não foi por acaso que o pão nosso saía quase sempre de suas atuações como rádio-ator e não da música.
O clássico "Trem das Onze", p. ex., não veio de impressões deixadas por agradáveis noitadas boemias, mas sim de observações feitas quando ia no Circo do Batista, lá no Jaçanã, interpretar ao vivo os tipos que faziam sucesso no programa de rádio História das Malocas.
"Aliás, o trem nunca foi das onze; era das oito, eu me lembro muito bem."
"NÃO PARAVA EM EMPREGO NENHUM"
Adoniran Barbosa, na verdade, é João Ramalho, um dos seis filhos (três homens e três mulheres) de um casal italiano que se estabelecera em Valinhos.
Tinha 14 anos quando o pai, empregado em olarias, descobriu que seria rendoso trabalhar perto da Capital, onde, de quebra, os filhos homens encontrariam colocação. Assim, em 1924 a família se mudou para Santo André.
Adoniran tem boas lembranças da infância, "pobrinha, mas tranquila":
"Uma infância comum. Não miserável. Tinha tudo. Boa comidinha em casa. Com minha mãe, meu pai, tudo".
Fez até o 3º ano primário, entregou marmitas.
Já em São Paulo, passou por uma variedade enorme de empregos, sem se dar bem. Foi operário de fábrica de tecidos, serralheiro, pintor de parede, ferragista, encanador, balconista, metalúrgico, garçom.
"Não parava em emprego nenhum. Fui tanta coisa que nem me lembro".
Nas horas de folga, gostava de assistir aos ensaios das bandas de música. Até que um dia faltou o tocador de caixa e ele se ofereceu para substituir.
"Isso lá por 1926, 28, mais ou menos. Então eu gostei tanto da coisa que comecei a estudar música. Comprei um flautim, passei a tocar o danadinho também".
"NO BARALHO TEM UM ÁS DE OURO.
NA RÁDIO SÃO PAULO TEM TRÊS"
Em 1932 ele veio morar sozinho em São Paulo. Logo começou a frequentar as rádios, cantando sambas em programas de calouros.
No do animador Jorge Amaral, na rádio Cruzeiro do Sul, ganhou um 1º prêmio interpretando "Filosofia", de Noel Rosa, apropriada para sua voz rouquenha. Recebeu 25 mil réis e um contrato, pois teve a sorte de ser notado pelo Paraguaçu, diretor do programa.
Adotou um nome artístico que homenageava dois amigos: o funcionário do correio Adoniran e o sambista carioca Luiz Barbosa.
Cantou músicas alheias, com regional, nas rádios Cosmo (depois América), São Paulo, Difusora.
Em 1935, inscreveu "Dona Boa" (composição sua, em parceria com o pianista carioca J. Aymberê) no concurso para o carnaval oficial da Prefeitura paulista. Ganhou o 1º prêmio: 500 mil réis.
O cheque foi descontado na Praça da Sé e o dinheiro mal deu para a farra que Adoniran e os amigos aprontaram. Ele acabou voltando a pé para casa.
Nesse mesmo concurso, o 2º lugar ficou com outro novato, o Ranchinho. E Adoniran se encontraria com a notável dupla caipira Alvarenga e Ranchinho no cast da rádio São Paulo, ainda em 1935.
Foi quando saiu a primeira matéria sobre ele em jornal, com um título que ainda hoje repete de memória:
"No baralho tem um ás de ouro. Na Rádio São Paulo tem três: Adoniran Barbosa, Ranchinho e Alvarenga".
"EU FALANDO JÁ ERA UMA PIADA"
Um dia, o Blota Jr. e o Vicente Leporace resolveram fazer uma experiência e colocaram o Adoniran num programa humorístico que eles tinham na rádio Cruzeiro do Sul. O auditório entrou em delírio.
E, a partir daí, a carreira de rádio-ator passou a ser sua principal ocupação, deixando a música em segundo plano até 1969, quando ele "se aposentou".
Transferiu-se para a rádio Record em 1942, chamado pelo Otávio Gabus Mendes. Os programas foram se sucedendo:
Palmolive no Palco;Escolinha Risonha e Franca (ele era o Barbosinha Maleducado da Silva);Casa da Sogra (interpretava vários tipos: o galã de cinema francês Jean Rubinet, o professor de inglês Richard, o cobrador de prestações Moisés Rabinovichi, o chofer de táxi do Largo do Paissandu Perna Fina);Zé Conversa e Catarina ("o Zé Conversa era um crioulo folgado da Barra Funda que vestia a roupa do patrão para conquistar as empregadinhas");O Crime Não Compensa (este já era sério e o Adoniran fazia sempre o criminoso).Mas, o grande sucesso foi mesmo o História das Malocas, escrito por Osvaldo Molles (o Adoniran, com seu sotaque italiano, o chama de Molichi...) e inspirado no sucesso da música "Saudosa Maloca".
A galeria de tipos é inesquecível: a Teresoca, o Trabucão, Panela de Pressão, Pafunça. E o principal deles, "um preto da favela, vagabundo, que não faz nada", marcaria época, interpretado por Adoniran: o Charutinho.
[Trata-se de mais um dos personagens curiosos baseados no carismático presidente do Corinthians, Alfredo Ignácio Trindade. Outro deles é o político populista vivido por José Lewgoy no filme Terra em Transe, de Glauber Rocha.]
O História das Malocas ficou no ar de 1954 a 1968, em dois horários: domingo às 12h e sexta-feira às 21h. Adoniran diz que ele foi o programa humorístico de maior audiência do rádio brasileiro, graças ao talento de Molles ("igual a esse não apareceu mais nenhum e nem vai aparecer").
Pergunto se ele próprio, Adoniran, chegava a criar alguma piada.
"Eu não. E nem precisava, que eu falando já era uma piada."
A CONSAGRAÇÃO, NA CAPITAL DO SAMBA
"Antigamente era difícil entrar e mais difícil ainda fazer sucesso. Ninguém queria nada com a gente. O elevador vazio, para artista sem nome, estava sempre lotado. E a gente tinha ficar dando em cima das gravadoras, dos cantores, dos locutores, dos diretores artísticos."
A confissão de Adoniran explica bem porque compôs de forma tão descontínua: "Joga a Chave", "Malvina" e "Iracema", em 1943; pausa até 1950, ano de "Saudosa Maloca", "Samba do Arnesto" e "Os Mimoso Colibri"; novo lapso até 1956, quando suas composições antigos fazem sucesso na interpretação dos Demônios da Garoa e ele se anima a uma parceria com Vinícius de Moraes, "Bom Dia Tristeza", que Aracy de Almeida gravou.
Finalmente, em 1964, o grande sucesso: "Trem das Onze", que, sem ser música carnavalesca, acabou se tornando um dos cinco sambas mais executados no carnaval do centenário do Rio de Janeiro, valendo a Adoniran 2 mil cruzeiros de prêmio e um troféu que ele exibe até hoje, com a inscrição "Adoniran Barbosa, campeão carioca do carnaval".
Era o coroamento de sua carreira de compositor paulista, consagrar-se na capital do samba!
E depois? O justo reconhecimento, a possibilidade de gravar seu próprio LP, a aceitação de seus sambas originais, falando de tipos esquecidos do cotidiano em seu linguajar simples e cheio de erros de português?
Nada disso. Mais um período obscuro, de vacas magras. E ele , que já atuara no cinema (inclusive em O Cangaceiro), chega ao fim dos anos 60 fazendo pontas em novelas da TV Tupi, como Mulheres de Areia e Ovelha Negra.
ARNESTO E A CENSURA ORTOGRÁFICA
Foi então que o produtor musical João Carlos Botezelli, o Pelão, tornou-se seu amigo e começou a corrigir as injustiças de toda uma vida.
Levou Adoniran para se apresentar no teatro Treze de Maio, foi um tremendo êxito.
Conseguiu que ele gravasse o primeiro LP na Odeon, em 1975. Dá-se o episódio pitoresco da impossibilidade de colocar nesse disco, que reuniu seus grandes sucessos, o "Samba do Arnesto", porque um decreto oficial proibia o mau uso do vernáculo nos veículos de comunicação.
O professor Antônio Cândido sai em defesa de Adoniran, na contracapa:
"Já tenho lido que ele usa uma linguagem misturada de italiano e português. Não concordo. Da mistura, que é o sal de nossa terra, Adoniran colheu a flor e produziu uma obra radicalmente brasileira, em que as melhores cadências do samba e da canção, alimentadas inclusive pelo terreno fértil das Escolas, se aliaram com naturalidade às deformações normais de português brasileiro, onde Ernesto vira Arnesto, em cuja casa nóis fumo e não encontremo ninguém, exatamente como por todo esse País".
"NÓIS GANHA POCO, MAIS NÓIS SI DIVERTI"
Mais um LP em 1976. E um novo hiato hiato até agora, quando saiu o disco comemorativo de seus 70 anos, em meio a todas as festividades programadas pela Emi-Odeon. Um sucesso certo, a julgar por sua qualidade, pela repercussão da data e pelo peso dos convidados (Clementina de Jesus, Clara Nunes, Carlinhos Vergueiro, Djavan, Elis Regina, Gonzaguinha, MPB-4, etc.).
E depois? Quanto tempo levará até que o público recorde novamente esse que é um dos mais sensíveis e humanos retratistas do seu cotidiano? Meses? Anos?
Não importa. Adoniran seguirá mantendo seus rituais diários, resistindo obstinadamente à velhice e à acomodação.
Continuará se apresentado pela periferia e pelo Interior, em faculdades, escolas, prefeituras, entusiasmado com o público jovem que conquistou ("Até a criançada já me conhece!" - afirma, orgulhoso).
Não importa que volte dessas excursões exausto, desabe na cama e permaneça o dia e a noite toda recuperando as forças.
E se alguém lhe perguntar se gosta da vida que leva, decerto ele responderá sinceramente que sim, talvez até acrescentando sua frase célebre:
"Nóis ganha poco, mais nóis si diverti!"
Obs.: presumivelmente, depois da onda toda da efeméride, Adoniran voltou a ser esquecido pela mídia, que só se ocupou dele de novo ao publicar-lhe o necrológio, dois anos mais tarde. Relendo hoje esta entrevista, percebi um pequeno senão: ela deixa a impressão que Adoniran compôs bem menos do que a centena de canções das quais foi autor, inclusive outras que mereciam ser citadas, como "Tiro ao Álvaro", "Prova de Carinho" e "Aqui Geralda".
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22 Jan 2010
Celso Lungaretti
Ives Gandra Martins é um advogado tributarista que ensina a grandes clientes como pagarem menos, ou nenhum, imposto de renda.
Ou seja, presta relevantes serviços à causa da desigualdade social, já que alivia os ricos das mordidas do leão, enquanto os pobres, não contando com assessoria jurídica da mesma qualidade, acabam se sujeitando a tributos injustos e até ilegais.
Houve tempo em que ele era atração exclusiva do jornal O Estado de S. Paulo, eternamente alinhado com os interesses empresariais.
Agora, a Folha de S. Paulo também lhe concede espaço de articulista. E não na sua área específica, mas para falar sobre o que desconhece e não tem isenção para abordar: ditadura militar x resistência.
Seu artigo de hoje (22), Guerrilha e redemocratização, não passa de uma síntese da propaganda enga... (más)
Ives Gandra Martins é um advogado tributarista que ensina a grandes clientes como pagarem menos, ou nenhum, imposto de renda.
Ou seja, presta relevantes serviços à causa da desigualdade social, já que alivia os ricos das mordidas do leão, enquanto os pobres, não contando com assessoria jurídica da mesma qualidade, acabam se sujeitando a tributos injustos e até ilegais.
Houve tempo em que ele era atração exclusiva do jornal O Estado de S. Paulo, eternamente alinhado com os interesses empresariais.
Agora, a Folha de S. Paulo também lhe concede espaço de articulista. E não na sua área específica, mas para falar sobre o que desconhece e não tem isenção para abordar: ditadura militar x resistência.
Seu artigo de hoje (22), Guerrilha e redemocratização, não passa de uma síntese da propaganda enganosa que os sites fascistas trombeteiam sobre o período de 1964/85 e, mais especificamente, sobre a terceira versão do Programa Nacional de Direitos Humanos.
Parece que, ao lecionar Direito na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército e na Escola Superior de Guerra, foi ele quem recebeu lições dos alunos: ensinaram-lhe o Torto.
Diz que, ao resistir ao terrorismo de estado implantado pelos golpistas de 1964, "a guerrilha apenas atrasou o processo de retorno à democracia".
Justifica as atrocidades ditatoriais com a falácia de que os verdadeiros responsáveis foram os que não se submeteram a viver debaixo das botas, pois "ódio gera ódio, e a luta armada acaba por provocar excessos de ambos os lados". É a velha piada do brutamontes se queixando de haver machucado a mão ao esmurrar a cara de um fracote...
Minimiza a contribuição dos movimentos de resistência à democratização, que, segundo ele, se deveu principalmente à atuação da OAB e de alguns parlamentares.
Aponta Hugo Chávez como eminência parda do PNDH-3 ("o programa é uma reprodução dos modelos constitucionais venezuelano, equatoriano e boliviano"), o qual estaria sendo "organizado por inspiração dos guerrilheiros pretéritos" (leia-se Paulo Vannuchi).
E insinua que a presidenciável do PT tem esqueletos no armário, pois, se forem apurados também os excessos porventura cometidos pelos resistentes, "isso não será bom para a candidata Dilma Rousseff". [Se tivesse algo consistente para dizer faria acusações concretas, ao invés de servir-se de indiretas para insuflar suspeitas, sem correr o risco de ser acionado por calúnia e difamação.]
Caso essa visão distorcida e tendenciosa da extrema-direita, expressa pelo Gandra Martins, tivesse a mínima relevância à luz dos valores civilizados, seria fácil refutar seu artigo de amador que invade destrambelhadamente a seara dos profissionais.
Mas, nem ele é importante como analista político, nem os artigos de Opinião da Folha são referencial para coisíssima nenhuma atualmente.
O jornal da ditabranda está sempre laçando fascistas acidentais para escreverem textos provocativos, capazes de motivar muitas refutações. Quer dar a impressão de que ainda é um veículo polêmico, trepidante.
Não farei o seu jogo, pois tanto a Folha de S. Paulo quanto o ideário que norteou o artigo de Gandra Martins só merecem de mim o mais absoluto desprezo.
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22 Jan 2010
Celso Lungaretti
“Brasil está vazio na tarde de domingo, né?
olha o sambão, aqui é o país do futebol
No fundo desse país
ao longo das avenidas
nos campos de terra e grama
Brasil só é futebol ”
("País do Futebol")
Já vão longe os tempos em que, como dizia o tema composto por Milton Nascimento e Fernando Brant para o filme Tostão, a Fera de Ouro, as ruas do Brasil ficavam vazias (como a av. Atlântica nesta foto do dia da decisão do Mundial de 1950) e os estádios lotados nas tardes de domingo.
Os motivos vão desde a violência das torcidas até a disponibilização de muitas outras opções de entretenimento, passando pelo agravamento da luta pela sobrevivência.
Mas, para aqueles que realmente amam o futebol, o principal motivo é outro: já não existe espetáculo. A tônica passou a ser muita transpiração e quase nenhuma i... (más)
“Brasil está vazio na tarde de domingo, né?
olha o sambão, aqui é o país do futebol
No fundo desse país
ao longo das avenidas
nos campos de terra e grama
Brasil só é futebol ”
("País do Futebol")
Já vão longe os tempos em que, como dizia o tema composto por Milton Nascimento e Fernando Brant para o filme Tostão, a Fera de Ouro, as ruas do Brasil ficavam vazias (como a av. Atlântica nesta foto do dia da decisão do Mundial de 1950) e os estádios lotados nas tardes de domingo.
Os motivos vão desde a violência das torcidas até a disponibilização de muitas outras opções de entretenimento, passando pelo agravamento da luta pela sobrevivência.
Mas, para aqueles que realmente amam o futebol, o principal motivo é outro: já não existe espetáculo. A tônica passou a ser muita transpiração e quase nenhuma inspiração.
Na fase de ouro do futebol brasileiro, nossos grandes craques exibiam aqui mesmo seu talento, preferindo ser bem pagos em casa do que magnificamente pagos no exterior.
Um ou outro, como Didi, se deixava seduzir pelo canto das sereias. Mas, tínhamos Pelé, Garrincha, Nilton Santos, Gerson, Tostão, Rivelino e outros que tais enchendo nossos olhos nas tardes de domingo.
De 1970 para cá, entretanto, o futebol foi se tornando, cada vez mais, mercadoria. E os interesses econômicos impuseram sua lógica perversa, a mesma que outrora relegava o Brasil à condição de exportador de café e importador de produtos industrializados.
Com a famigerada Lei Pelé (rendição incondicional ao maior poder de fogo dos grandes clubes estrangeiros), o Brasil hoje não consegue segurar suas revelações nem por uma temporada completa. São vendidas mal começam a desabrochar.
Então, os grandes clubes brasileiros hoje montam seus times com maioria de jogadores limitados e alguns craques veteranos que retornam do exterior após terem virado bagaços, mais os meninos saídos das categorias de base e que são colocados na vitrine para atraírem compradores.
Alguns desses bagaços ainda conseguem ter algo próximo a um canto do cisne, como o Ronaldo (que o humorista José Simão apelidou de Ronalducho...).
Mas, isto se dá apenas porque os raros lampejos de seu brilho de outrora são suficientes para os destacarem dos cabeças-de-bagre e carregadores de piano que com eles dividem a cena.
Fornecemos a matéria-prima futebolística que será processada lá fora e depois pagamos às redes estrangeiras para receber as imagens do verdadeiro futebol brasileiro: aquele que Ronaldinho Gaúcho e Alexandre Pato jogam na Itália, Kaká e Luís Fabiano na Espanha, etc.
De quebra, fica esse péssimo exemplo dado aos brasileiros: o dinheiro compra tudo.
O penúltimo craque que se dispôs a abrir mão de uma oferta mirabolante em nome de valores mais nobres foi Sócrates, em 1984: durante um comício das diretas-já no Anhangabaú (SP), o doutor comprometeu-se publicamente a, caso fosse aprovada a emenda Dante de Oliveira, recusar a proposta da Fiorentina e permanecer no Brasil para contribuir na redemocratização.
A infâmia dos parlamentares não só nos privou de uma saída da ditadura pela porta da frente, como encerrou a grande fase de um dos nossos supercraques e, sem dúvida, o melhor cidadão que o futebol brasileiro já projetou.
E temos o caso mais recente de Adriano, que preferiu o calor de sua gente à frieza da moeda.
Exceções à parte, a regra é de que o homo ethicus e o homo ludicus não têm mais lugar em nossa terra arrasada. Predomina de forma avassaladora o homo economicus.
Concluindo: teremos nossa noite de Cinderela durante a Copa, mas a carruagem vai virar abóbora logo em seguida, no Brasileirão – pois, persistindo as tendências atuais, o de 2010 será tão ruim quanto o de 2009, provavelmente o mais nivelado por baixo de todos os tempos.
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3 Feb 2010
Levantamento por sobrevoo encontra 20 peixes-boi marinhos no litoral nordestino. Método inédito para esta espécie no Brasil deve continuar em março.
5 Feb 2010
Estudo feito no Canadá é o primeiro a documentar o declínio de populações de um mamífero terrestre associado às consequências das mudanças climáticas.
4 Feb 2010
O 1º Curso de Biologia e Manejo do Iguaçu não só reabriu no parque o estudo de campo com onças como lhe deu novos visitantes, coloridos como os turistas, mas dispostos trabalhar.
3 Feb 2010
Aval para usina de Belo Monte mostra que o entrave deste país não são os licenciamentos, mas a velha ideia de que natureza não vale nada.
2 Feb 2010
Desmatamento identificado pelo sistema DETER segue tendência de baixa, mas especialistas alertam que em ano eleitoral ele deve voltar a subir.
2 Feb 2010
Estado estende prazo para melhorar sua Política de Mudanças Climáticas. Em 2 meses, única contribuição veio do próprio governo.
29 Jan 2010
Proprietário rural desmata, queima e patrola Cerrado na Chapada dos Veadeiros. Órgãos públicos prometem fiscalização.
1 Feb 2010
O diretor de Avatar inspirou-se no mar. Usou e abusou de uma propriedade biológica marinha na decoração de seus cenários: a bioluminescência, principal fonte de luz dos oceanos.
1 Feb 2010
Enquanto país pede apoio internacional para proteção de florestas, governo insiste em projetos como Belo Monte, ambientalmente e socialmente indefensáveis.
29 Jan 2010
Estudo identifica 237 áreas importantes para a conservação das aves ameaçadas do país. Apenas 21% do total estão sob proteção. Confira material multimídia.
4 Feb 2010
Agence Cubaine de Nouvelles
O presidente cubano Raúl Castro Ruz visitou na segunda-feira a embaixada haitiana em Havana para expressar o pesar e solidariedade de Cuba com o povo do Haiti após o devastador terremoto que destruiu Porto-Príncipe no mês passado.
4 Feb 2010
Agence Cubaine de Nouvelles
O governo do Panamá anunciou sua decisão unilateral de suspender a Operação Milagre, programa venezuelano-cubano, que garante cuidados de saúde a pessoas com problemas da visão.
4 Feb 2010
Agence Cubaine de Nouvelles
Será a pessoa mais velha do planeta? Ninguém pode dizer ao certo, mas que a cubana Juana Bautista de la Candelária bateu seu próprio recorde ao chegar aos 125 anos de idade, é um fato objetivo.
4 Feb 2010
Agence Cubaine de Nouvelles
Mais um prêmio Grammy entrou no acervo de reconhecimentos do jazzista cubano Jesús ‘Chucho' Valdés. O renomado pianista obteve neste domingo o Grammy ao melhor álbum de jazz latino pelo CD Juntos para siempre (Juntos para sempre) durante a cerimônia celebrada ao efeito em Los Angeles, Califórnia.
2 Feb 2010
Agence Cubaine de Nouvelles
O presidente de Cuba, Raúl Castro se reuniu no domingo com Mona Gamal Abdel Nasser, filha de Gamal Abdel Nasser, que foi o segundo presidente do Egito desde 1954 até sua morte em 1970.
2 Feb 2010
Agence Cubaine de Nouvelles
O secretariado-geral da Organização Continental da América Latina e o Caribe de Estudantes (OCLAE) se reúne hoje e amanhã em Havana como ponto de partida dos preparativos para XVI Congresso da organização.
2 Feb 2010
Agence Cubaine de Nouvelles
Esteban Lazo Hernández, vice-presidente do Conselho de Estado, assinou nesta sexta-feira, em nome do governo e o povo cubanos, o livro de condolências pelas vítimas do terremoto que assolou o Haiti em 12 de janeiro.
29 Jan 2010
Agence Cubaine de Nouvelles
Bruno Rodríguez Parrilla, ministro cubano das relações exteriores, deixou inaugurado na quarta-feira o encontro de cubanos emigrados e autoridades da ilha.
29 Jan 2010
Agence Cubaine de Nouvelles
Nove das 120 obras de vários artistas da plástica internacional doadas a Cuba por Gilbert Brownstone, filantropo e amigo da ilha, já estão em Havana.
29 Jan 2010
Agence Cubaine de Nouvelles
O primeiro vice-presidente de Cuba José Ramón Machado Ventura recebeu na segunda-feira o primeiro-ministro da República da Guiana, Samuel Hinds, quem está em Havana para uma visita oficial.
8 Feb 2010
Diego Casaes
É com satisfação que anunciamos a Conferência de Mídia Cidadã do Global Voices 2010! Nosso encontro acontecerá este ano em Santiago, no Chile, entre 6 e 7 de maio de 2010. Entre os destaques das discussões haverá o anúncio dos vencedores do Prêmio Breaking Borders, um prêmio criado pelo Google e Global Voices.
8 Feb 2010
Diego Casaes
Publicado originalmente porJanine Mendes-Franco · Traduzido por Diego Casaes · Veja o post original
Quer escrever em solidariedade ao Haiti? O blog de St. Lúcia Caribbean Book Blog [en] e o blogueiro literário jamaicano Geoffrey Philp [en] têm detalhes sobre a iniciativa.
8 Feb 2010
Diego Casaes
Publicado originalmente porJanine Mendes-Franco · Traduzido por Diego Casaes · Veja o post original
Em resposta à declaração de que a chegada de refugiados haitianos na Jamaica pode ser vista como uma ameaça à saúde pública, Long Bench [en] republica uma Carta ao Editor que ele escreveu: “Refugiados haitianos não são ( click title for more )
8 Feb 2010
Diego Casaes
As recentes notícias sobre a compra de dois milhões de dólares pelo ex-presidente Néstor Kirchner em outubro de 2008, na época em que a crise financeira internacional se iniciava, gerou bastante impacto na mídia, blogs e redes sociais.
7 Feb 2010
Elisa Thiago
Esforços difusos no sentido de retirar os escombros no Haiti são acompanhados por discussões sobre a melhor alternativa para a reconstrução das casas e outras estruturas destruídas no terremoto de 12 de janeiro. Georgia Popplewell relata de Porto Príncipe sobre "a questão crítica de abrigo para todos que perderam suas casas."
7 Feb 2010
Diego Casaes
Publicado originalmente porDiego Casaes · Traduzido por Diego Casaes · Veja o post original
Maria Frô convida blogueiros e a população da classe-média de São Paulo para se unir a ela no dia 8 de fevereiro, a fim de protestar contra a negligência do prefeito e do governo do Estado de São Paulo ( click title for more )
7 Feb 2010
Diego Casaes
Publicado originalmente porRezwan · Traduzido por Diego Casaes · Veja o post original
Madhu Baganiar, que pertence à comunidade indígena Oraon (Kurukh) comenta [en] sobre a morte da língua Bo com o falecimento do mais antigo falante, o sobrevivente solitário da tribo Bo: “línguas tribais podem ser preservadas e (devem) prosperar através de ( click title for more )
6 Feb 2010
Raphael Tsavkko Garcia
Uma polêmica emergiu com a proposta do Terceiro Plano Nacional de Direitos Humanos, que descriminaliza o aborto e criminaliza a homofobia, bane símbolos religiosos de espaços públicos e instaura uma Comissão da Verdade para investigar crimes da ditadura militar.
5 Feb 2010
Michele Aquino
A situação em Cusco, Peru, permanece difícil pois as chuvas não cessaram. Ajuda está sendo distribuída, mas muitos estão pedindo mais transparência. Houve até mesmo relatos de que alguns turistas foram cobrados em dinheiro em troca de serem resgatados.
5 Feb 2010
Raphael Tsavkko Garcia
São Paulo irá parar no domingo, 7 de fevereiro, por uma noite de beijos em massa em protesto contra a resistência à recente terceira edição do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3) do governo brasileiro.
4 Feb 2010
Diego Casaes
O site de jornalismo cidadão espanhol Bottup anuncia o Segundo Prêmio de Jornalismo Cidadão. O vencedor, posição aberta para qualquer um no planeta, receberá até 1.800 euros em uma viagem para qualquer lugar do mundo onde ele ou ela se tornará "Correspondente Especial" para o Bottup.
4 Feb 2010
Diego Casaes
A ilha japonesa de Okinawa, situada ao sul do país, primeira colônia do Japão no século XIX e local de uma das batalhas mais sangrentas da Segunda Guerra Mundial, tornou-se nos últimos meses tanto um símbolo, quanto um objeto de uma disputa diplomática entre o Japão e os Estados Unidos.
1 Feb 2010
Elisa Thiago
Quando Sebastián Piñera foi eleito o próximo presidente do Chile no dia 17 de janeiro de 2010, muitos blogueiros fizeram comentários sobre a relação entre o presidente eleito e o ditador morto Augusto Pinochet por causa do apoio público a Pinochet exibido após a vitória de Piñera.
1 Feb 2010
Michele Aquino
O governo marroquino lançou um ambicioso projeto sobre o meio ambiente envolvendo uma série de reuniões regionais, workshops e conferências e provocando um debate nacional que visa a criação de uma Carta para o Meio Ambiente. Blogueiros estão comentando o desenvolvimento dessa história.
1 Feb 2010
Paula Góes
O Global Voices Online acaba de ser escolhido como finalista por decisão da comunidade para o 2010 We Media Game Changer Award, e o grande vencedor será escolhido online.
1 Feb 2010
Michele Aquino
Conversas já giram em torno da reconstrução do Haiti. Os primeiros relatórios sobre os danos apontaram principalmente para as normas de construção negligentes, mas Marc Herman olha atentamente este caso.
25 Jan 2010
Raphael Tsavkko Garcia
Sebastián Piñera foi eleito em 17 de janeiro como primeiro presidente da direita no Chile após 20 anos de liderança da esquerda. Para muitos no Chile, esta eleição demonstra a força do país enquanto uma democracia transparente e saudável.
25 Jan 2010
Raphael Tsavkko Garcia
To Shoot An Elephant é um documentário de Alberto Arce e Mohammad Rujailah, filmado em Gaza durante a guerra um ano atrás. Para marcar o primeiro aniversário do fim da guerra, o filme, distribuído sob uma licença Creative Commons, foi mostrado em exibições especiais ao redor do mundo.
23 Jan 2010
Luiz Nemer Neto
Bandas de rock internacionalmente conhecidas não tocam em Lima, Peru, com frequência. Quando eles tocam, como no caso do Metallica, interesses e lucros atingem níveis altos. Contudo, nem todos estão satisfeitos em verem a banda no país.
23 Jan 2010
Ana Carolina Moreno
Com diplomacia e tato, o pequeno Estado himalaio do Butão indagou a gigante China a respeito de invasão de fronteiras recentemente. Os oficiais butaneses e internautas são geralmente cautelosos em protestar essas questões com a China, seu poderoso vizinho, mas alguns internautas estão dando voz à sua divergência através do anonimato ou de pseudônimos.
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